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Eu te amo, Brasil, ainda mais na derrota

por Nuno Costa Santos, em 10.07.14

Brasil dos primeiros livros aos quadradinhos, Brasil da revista Cláudia onde tive os meus primeiros vislumbres eróticos, Brasil de Rita Lee, dos Roupa Nova, do 'Dia de Domingo', da letra 'Se você pensa que cachaça é água', de 'Chiquita Bacana', Brasil das novelas, de 'Guerra dos Sexos' e de 'Baila Comigo', de Sócrates e Falcão, de Caetano, Chico Buarque e Gilberto Gil, Brasil de Tom Jobim, Vinicius, da Legião Urbana, de Cazuza, Brasil que faz parte do meu show. Brasil da hilariante Mad e onde fiquei a saber que bandas como os Cure e os Jesus and Mary Chain foram tocar ao Rock in Rio perante plateias tropicais vestidas de preto.

Brasil de Nelson Rodrigues, Millôr Fernandes, Rubem Braga, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira. Brasil da crónica e da poesia, do português que gosta de conversar por escrito, das ruas habitadas por histórias e pessoas-personagens, Brasil de João do Rio e de Dalton Trevisan, de Rubem Fonseca, da Cidade de Deus e de Seu Jorge. Brasil das garotas que não são só de Ipanema.

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publicado às 00:20

O Meu Pai Tinha Razão

por Nuno Costa Santos, em 13.06.14

Quando eu tinha 17 anos o meu pai achou que o filho não devia seguir o curso de Comunicação Social porque depois iria ficar no desemprego. Estrebuchei, zanguei-me, irritei-me. O tempo veio dar-lhe razão e isso entristece-me: ter de dar razão ao meu pai neste assunto. Não estou desempregado mas há muitos companheiros meus que estão. Há cada vez menos trabalho para os jornalistas e a última notícia na área é que há um grupo que vai despedir de uma só vez 140 trabalhadores e rescindir colaborações com 20 pessoas. É mais uma acha para a fogueira de um prenúncio de morte.

E o que é que isto significa? Que há uma data de gente, muita dela acima dos 40, que vai andar a bater a portas inexistentes numa praceta cada vez mais pequena. Como é que vão sobreviver? Só os milagres poderão dar uma resposta. 

Diz-se e bem que não há democracia sem jornalismo. Direi mais: não há democracia sem bom jornalismo, exigente, feito de frescura mas também de experiência, de olhar atento e experimentado, mais sabedor das curvas que a vida pública pode dar.

Ser jornalista - com 20, 30, 40, 50, 60 anos - é ser cada vez mais um sobrevivente, uma ave que consegue aguentar um poiso apenas por uma temporada. Há uma mudança na forma como se lê jornais mas também as políticas fazem o cidadão pensar se deve guardar os tostões em vez de os empregar a comprar um periódico.

 

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publicado às 01:01

Um agradecimento devido

por Nuno Costa Santos, em 30.05.14

Obrigado, lembrete.

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publicado às 18:36

por Nuno Costa Santos, em 30.05.14

“Tu só sabes fazer rapazes!”. É essa frase que mais tenho ouvido agora que os meus amigos e conhecidos sabem que vou ser pai do terceiro crianço. É uma acusação. Um apontar de pistola. Um “és um falhado e aguenta-te com isso”.

 

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publicado às 18:33

Marinho Pinto

por Nuno Costa Santos, em 23.05.14

As intervenções de Marinho Pinto são mais violentas do que o vídeo dos Mão Morta. O ex-bastonário dos doutores advogados atira sempre a matar. Contra tudo e contra todos. Pode dizer-se que ao pé dele qualquer taxista é moderado. O personagem Luxúria Canibal é um menino ao pé da figura Marinho Pinto.


A sua virtude é essa evidente coragem de puxar o gatilho sem medo do que lhe poderá acontecer ao pêlo por causa disso - e é verdade que os pactos secretos dos partidos do poder têm servido quem os ocupa. A sua desvirtude clara é o facto de fazer generalizações agressivas - e é fácil ter razão nalgum instante quando se faz uma generalização. Alguma parte do que se diz de radical bate certo com a triste realidade. 

 

 

Mais:

 

http://www.sabado.pt/Opiniao/Nuno-Costa-Santos/Marinho-Pinto.aspx

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publicado às 16:39

Horas de Fazer

por Nuno Costa Santos, em 21.05.14

Vá, falemos da nova canção e do novo vídeo dos Mão Morta, banda de que sou fã desde “Oub’lá”. ‘Horas de Matar’, que tem percorrido as redes sociais como um cavalo louco, para citar o título de uma música de outra banda bracarense, os Um Zero Amarelo. ‘Horas de Matar’ é o desespero de uma figura/personagem e nesse sentido pode ser visto como um momento de ficção, como quem lê o ‘Psicopata Americano’. E é melhor que assim seja. Não o quero ver de outra forma, da maneira como parece estar a ser lido por vasta gente. O vídeo traz figuras de partidos vários - e nesse sentido é democrático no apontar da pistola – mas ir pela fantasia da matança “deles”, “dos políticos”, é ir pelo fácil, pelo gratuito. Não acredito que Adolfo, demasiado lido e informado, queira inspirar qualquer tipo de populismo intelectual.

 

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publicado às 15:32

Memória

por Nuno Costa Santos, em 16.05.14

Ontem assisti ao filme “Toda a Memória do Mundo”, de Alain Resnais, exercício kafkianamente feliz de descrever todos os recantos da Biblioteca Nacional francesa e um ensaio sobre a memória e o tempo e um esforço de organização feito de suor e ciência. Um tributo, realizado em 1956, de fixar todos os espaços, todos os volumes que chegavam todos os dias – entre livros e jornais -, a organização das secções, as preciosidades de originais que fundam o pensamento cultural do Ocidente. Uma aventura atravessada de travellings e de uma banda sonora feita de mistério, susto e revelação.

 

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publicado às 19:50

Descer as Escadas, Mais uma Vez

por Nuno Costa Santos, em 30.04.14

Nelson Rodrigues pedia sempre desculpa quando tinha de sublinhar o óbvio. Também peço. Não há, no campeonato da governação dos países, nenhuma estatística favorável que consiga enfrentar o embate das histórias humanas concretas. Ou por outra: só descendo as escadas e falando com as pessoas é que se entende que isto anda ainda menos famoso do que se julga. Que há demasiada gente em apuros, em zonas de desequilíbrio social, para podermos aplaudir o que quer que seja em termos de conquistas públicas. 

Visitei recentemente uma creche, com preços medianos e uma dimensão razoável, que nos últimos dois anos está a meia casa. Os pais não têm dinheiro para pagar a creche dos filhos numa altura em que têm mais necessidade de trabalhar. Ou estão desempregados, sem qualidade emocional e psicológica, e com necessidade de procurar trabalho a cada minuto. Sim, há aqui alguma coisa essencial que não anda a carburar. 


Ontem o jornal 'Público' foi mais longe nas narrativas – cumpriu aquilo que o filósofo Richard Rorty defendeu: só contando os pormenores de quem sofre nos pode aproximar de um sentimento mínimo (não se pede muito) de solidariedade. Existem cada vez mais crianças – e na reportagem ouvimos quem fala disso na primeira pessoa – cujos pais não lhes podem garantir nem uma alimentação equilibrada nem roupas e calçado.

 

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publicado às 23:32

Quando Tu Morreres

por Nuno Costa Santos, em 28.04.14

Quando tu morreres, leitor, alguém se lembrará de ti e far-te-á um elogio. Dirá que foste um gajo porreiro. Que eras amigo do teu amigo, que soubeste viver a vida (como se saber viver a vida fosse uma arte universal), que trabalhaste como poucos, que cuidaste dos teus, que contribuíste para o teu bairro e a tua freguesia. Quando eu morrer, leitor, também serei lembrado por alguém. Alguém que dirá, como dirão de ti, leitor, que fui dos melhores. E isso não nos devia descansar.

É triste ter de morrer um poeta para a gente o tirar da estante. Girei a cadeira e trouxe para a mesa um dos livros que tenho de Graça Moura, “Poesia 2001/2005”. Folheio-o. Prefiro, oportunisticamente, folheá-lo a ler as notas biográficas dos jornais de hoje. É sabido que o trilho de um poeta também se encontra na cronologia dos seus versos. Ainda para mais quando se percebe que esses versos vêm das tripas.

 

A restante prosa neste andar.

 

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publicado às 12:34

Há Coisas que Realmente

por Nuno Costa Santos, em 25.04.14

De vez em quando vem a expressão: “Há coisas que realmente”. Há coisas que realmente parecem misteriosas, mágicas, extraordinárias. É aquela história de estar a pensar num amigo que já não se via há anos e de ele aparecer ao virar da esquina como se estivesse preparado entrar em palco. E há outras tantas. Vai-nos acontecendo a todos. Cada um tem o seu episódio para contar,valorizado como um segundo para além da mera coincidência. Que depois esquece, com a ingratidão habitual com que tratamos os dias.

Tenho notado que são muitas vezes os descrentes encartados - em qualquer tipo de transcendência ou de mágica - que mais vezes repetem essa observação. Negamos que existe uma possibilidade maior do que esta mas continuamos inquietos, disponíveis para o pequeno deslumbre. É de não acreditar ou de desconfiar mas quando se acende uma luz queremos apontar para ela, capturando a atenção de quem está connosco. 

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publicado às 09:43


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