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Safadezas

por Nuno Costa Santos, em 04.08.15

Livros para ler no Verão? “O Cheirinho do Amor”, do brasileiro Reinaldo Moraes. Traz crónicas sobre temas quentes – nada que não se resolva com umas idas frequentes à água. O que se quer dizer por temas quentes? Isso mesmo: assuntos da carne. Dossiers eróticos e alguns muito do que isso. Linguagem desamarrada. Expressões vagabundas como “tesuda pra dedéu”, “estrepolias sexuais”, “esbórnia com as aeromoças”, “modalidade transcendente de fuque-fuque”, “ripa na chulipa”.

Personagens visadas: Cicciolina, padres dados ao bem-bom, corredores de automóveis com a libido a 200 à hora, participantes em reality shows doutorados em onanismo, a Bruna Surfistinha, psicanalistas. Moraes teoriza, divertindo, sobre as alegrias do sexo, agradece à Volkswagem o ter produzido um “verdadeiro motel rodante pra várias gerações de jovens brasileiros”, trata de bundas, mamas e design vaginal citando Aristóteles e Ovídio e usa de um à-vontade de quem sabe que a arte literária pode e deve ser vivida com elegante libertinagem, fazendo uso de todos os recursos que a língua (nada de duplos sentidos) portuguesa permite. Até os castos e os moralistas devem ler este livro só pelo prazer da linguagem.

 

O leitor preguiçoso pode ler um só texto: “Catherine, Serge et Moi”, um tratado cronístico, um bate-papo escrito a partir de um encontro não programado do autor enquanto jovem com Catherine Deneuve e Serge Gainsbourg num cinema parisiense. O escriba descreve assim a forma como uma amiga o apresentou aos sujeitos famosos: “notre ami brésilien, le grand écrivain Reinaldô". E acrescenta: "que até então não tinha publicado porcaria de livro nenhum”.

reinaldo.jpg

 

Uma curiosidade final: o swing é apresentado como a única forma de o “terceiro excluído” (vulgo corno) se sentir apaziguado. “Num clube de swing não há terceiros excluídos. Ou, por outra, são todos cornos e passam muito bem, obrigado”. Fica a sugestão de Reinaldo, autor de “Pornopopeia”, que ainda faz questão de citar Caetano Veloso quando diz que “sexo não é tudo, mas tudo é sexo” e Julio Cortázar quando escreveu que “não há erotismo sem verbo”. Um sacrilégio, em todo o caso.

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publicado às 22:28



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