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Onde é que fica o Elogio?

por Nuno Costa Santos, em 15.01.14

Em Portugal, quando se elogia alguém, tem de se criticar uns 300. Os elogios normalmente aparecem entalados entre centenas de bojardas lançadas contra quem não se encaixa no beneficiário do elogio, perdendo-se assim o objectivo inicial do elogiador. “O Zé Castro é um gajo porreiro. Não tem nada a ver com o Henrique, com o Lucas, com a Mitó, com o Luís Frade, com a Mariana Carla, com o Januário (ui, o Januário!), com o Ramada e com o Mateus. Muito menos com a mãe do Mateus, que é uma fiteira do piorio!”. E onde é que fica o Zé Castro no meio disto tudo? Lá atrás, entre o nevoeiro de insultos.

Por que é que um tipo não pode apenas dizer “a Sara faz um petisco que é daqui” sem ter de mandar abaixo a Gabriela porque não é tão famosa nas moelas? É algo que merece a nossa consideração. Sublinhar por sublinhar aquilo que é bom e bonito é assim tão difícil? É preciso criar 890 inimigos só para se fazer um amigo? 

A tendência lusa para o absoluto pouco ajuda. Por exemplo, na análise política – de bancada e de estúdio – abundam as declarações começadas desta forma: “É a primeira vez na História da democracia portuguesa que”. “É a primeira vez na História democracia portuguesa que existe um ministro que sabe mandar construir uma ponte como deve ser!”. E, lá está, num comentário ficam soterrados todos os ministros das obras públicas anteriores. Para quê, caramba? Se calhar houve um que até fazia umas pontes assim-assim e merece uma palavra porreira.

O elogio é algo que merece ser usado com a mão aberta. Não devia servir para o ódio. É mais proveitoso para quem sai à rua num dia de sol aproveitar o sol do que maldizer a chuva que, coitadinha, está emigrada, possivelmente por necessidade. Fica o tópico para reflexão.

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