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Mais Imaturos

por Nuno Costa Santos, em 31.10.15

O disco começa bravamente com um cheirinho a The Bravery. Com um daqueles temas-corrida que vai fazer as salas vir abaixo e toda a gente fazer, mais do que air guitar, air drum. Vai passar nas rádios merecidamente. Miguel Ribeiro está seguro, orgânico e natural na vocalização do inglês. O segundo tema tem qualquer coisa de Duran Duran (é um elogio). A produção começa a mostrar o seu virtuosismo. A distorção das vozes funciona na batata. Talvez um dos melhores temas do disco pela originalidade, pela estranheza. "You & Me" é uma canção muito bem desenhada, com uma guitarra-rouxinol a aparecer na altura certa.

 

Há qualquer coisa de U2 ("Songs of Innocence"). "Hollow Head" é a canção mais serenamente épica. Tem uma melodia feita com a "little help" da instrumentação e da voz e é capaz de comover um ex-funcionário da Regisconta. "Heaven", com uma entrada à Joy Division (percussão), cheira a Cure na guitarra (nota-se que é uma homenagem). Palmas para as teclas. Melodia francamente feliz. É um dos temas fortes, que, como se diz nas esquinas, vai pegar. Quando entra o refrão, Ribeiro está em casa, organicamente seguro, assertivo na emoção. Sente-se o virtuosismo da produção nas camadas, nos pormenores. Sou fã de "Última Ceia", o único tema em português (com uma voz transformada). Lembrei-me dos Ban mas pode ser apenas ser nostalgia. A certa altura a música abre-se como uma flor sincera. É inspiradora. As rádios estão à espera disto. E temos balada com "Under The Rain" e uma letra meteorologicamente amorosa. Matéria para dança de garagem com vassoura e tudo (o costume devia ser recuperado). Miguel Ribeiro mostra o virtuosismo da sua voz, as suas modulações, mas sem exageros espúrios. "Please Come Home". Que bom. Baladucha de crooner de bar com Jim Reid e Stephin Merritt a tomarem uma pint ao balcão. "Lost and Found" é um regresso, esse sim, mui assumido ao som cureano. Mas só na instrumentação~estilo "Pictures of You". A cantoria nada tem a ver.

 

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 "I´m so tired now", canta-se a dado passo, preparando o aviso de aeroporto "Lost And Found". Espera aí. Cai-nos em cima, sem que estamos à espera, "Lonely People", nada deprimente, diga-se. Que boa guitarrinha, que boa produção (psicadélica), que bom modo de cantar. Mais um tema para concerto. Aqui é a guitarra que domina sempre cruzada por umas teclas espaciais. A dado momento, sem sabermos bem como, estamos a ouvir uma canção rock'n'roll. Sacanas. Há mais rockada logo a seguir com "Turkish Delight", quase a roçar o hard rock. Matéria mais mainstream com uns arranjos turcos lá pelo meio (os Kula Shaker aprovariam na boa). "Corno de Bico" é para dançar nas danceterias com bola de espelhos. A voz feminina do grupo é mestre de cerimónias, qual vocalista dos Savages que recebe a ser altura uma caixa de bombons, enquanto os Kraftwerk fazem crochê a um canto (já têm idade para isso). Aproveita-se e bem para fazer os sintetizadores brincarem à vontade como crianças ao livre.

 

Ao segundo disco os The Happy Mess estão mais imaturos. Ou seja: brincam mais. Arriscam mais. Experimentam mais. Estão mais desafiadores. Mandam-se para novos terraços. Surpreendem mais. É um motivo de festa.

 

 

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publicado às 11:27



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