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José Ferreira Fernandes

por Nuno Costa Santos, em 29.06.14

 

 

 

Em Novembro de 1997, o Miguel Romão e eu entrevistámos para a revista universitária Inventio um jornalista português que praticava o jornalismo da pequena história,- aquela que conta o pequeno gesto revelador da condição humana. Chamava-se Ferreira Fernandes e na altura era editor na revista Visão e escrevia crónicas para o Tal e Qual e para a TSF. Havia publicado dois livros sobre emigração.

Hoje o Ferreira Fernandes que admirava e admiro - no seu jeito para condensar em pequenas frases o caos do mundo - vai dizer umas palavras no lançamento de um livro que escrevi, "Vou Emigrar para o Meu País". As gratas razões para o ter convidado para estar hoje à tarde na FNAC Chiado estão nas respostas que deu nessa entrevista.

“As pessoas gostam de histórias. Não sei se com as fracas televisões que temos e com o jornalismo mais cor-de-rosa esse gosto se vai perder. É possível. Mas eu julgo que não. Porque é inerente a nós: as pessoas gostam de histórias de pessoas. Com aquilo que de fundamental têm as pessoas que contam as coisas banais, mas ao mesmo fundamentais: é o amor, é a vida, é o sangue…”.

(…) 

O essencial que eu tenho da política é o seguinte: eu sei que os pais negros choram a morte de uma filha da mesma maneira que os pais brancos.

(…)

Mais do que contar as grandes clivagens entre as organizações políticas, eu falo da empregada do Hotel que me foi levar a um lugar e reparo que quando ela passa por um espelho abana a cabeça para olhar a crina, para olhar os cabelos. E extrapolo uma vontade daquela mulher de ter orgulho nos cabelos. E ali, na Argélia, ter orgulho nos cabelos não é propriamente uma propaganda ao Vidal Sassoon, ou qualquer dessas marcas de dois em um. É uma questão de afirmação pessoal.

(…) Num jogo de futebol torço pela Holanda, que tem pretos e brancos, e não pela Costa do Marfim, que tem só negros ou pela Alemanha que tem só brancos. O meu coração vai logo para ali.

(…)
A situação que mais me tocou enquanto repórter foi quando estive seis semanas com a UNITA e, ao regressarmos do Norte, acima do caminho-de-ferro de Benguela, para posições mais seguras, havia uma rapariga que vinha ferida e ardia em febre… Eu tinha no bolso um toalhete da TAP, desses que normalmente deito fora, e dei-lho. Vi-lhe, ao passar aquilo na cara, uma surpresa e um prazer por um bem de que normalmente prescindo e deito fora”.

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publicado às 14:22



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