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Isso é relativo

por Nuno Costa Santos, em 31.01.14

Em cada homem, concreto, único, irrepetível, há uma tendência para a generalização. O que se compreende. Se um tipo se fosse aqui pôr com rigores extremos tornava-se um chato do caraças. Aquele que ao balcão, com uma imperial à frente, usa notas de rodapé - também os há. Já fomos todos um bocadinho essa figura, mas tínhamos a desculpa de sermos adolescentes. Lembram-se de quando alguém mandava uma sentença na turma e nós esperávamos dois segundos para fazer o comentário: "Isso é relativo". "O Tó Carlos é um chato", dizia a Flávia. Dois segundos. "Isso é relativo". "A filosofia é uma seca!", dizia o Sandro. Dois segundos, às vezes três. "Isso é relativo". E assim passávamos por inteligentíssimos.

 

A generalização é um vício que começa na juventude mas vai crescendo com a falta de paciência que a idade traz. A um avô permite-se que arrase a classe política e jornalística enquanto vê o telejornal. É uma injustiça, claro, e bem perigosa, mas apenas se observada por gente mais nova. Ninguém se vai começar a discutir: "Desculpe, avô, há dois deputados do PS, um deputado do PCP e outro do PP que são muito interessantes". Uma jogada explicativa desse género merece um "vocês os novos são todos uns coninhas!".

 

 Toda esta conversa para chegar aqui: a generalização do momento é "os jovens". Generalização, como sabemos, recorrente em todas as estações e todos os séculos. Os jovens são isto, os jovens são aquilo. Como todas as generalizações, deve ser investigada. Só um velho pode dizer, sentado no seu cadeirão, "os jovens são todos uns broncos!". Uns tipos vazios, sem ideias e com muita vontade de ser humilharem uns aos outros. Será uma generalização que faz sentido?, pergunto. Confesso a minha dúvida na resposta.  Não sou especialista nem trago notas de rodapé sobre o assunto na carteira. A minha pesquisa - os meus "estudos" - partem apenas daquele método cusco que caracteriza todo o escriba: o de subir o volume ao tímpano nas conversas de café.

 

Neste instante habito uma biblioteca. Há aqui gente de vinte anos a folhear calhamaços e a fazer apontamentos. O que me impede de tirar notas.

Será que eu, um veterano, começo a poder usar uma generalização gratuita? "Os jovens têm todos a mania que são intelectuais!". Vocês que são novos (expressão que sempre quis usar) ajudem aqui o idoso.

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publicado às 18:10



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