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Contra a Cidade Abstracta

por Nuno Costa Santos, em 19.01.14

Há uns anos criei uma personagem chamada melancómico que procura, no conforto do bairro, resguardar-se do frio urbano que a afecta. Entre a mercearia, a padaria, a drogaria e a farmácia, faz conhecimentos importantes. Ganha uma família. Escolhe os seus – a Dona Bina, o Márcio e outros. Amigos reais ou imaginários com quem pode ter um bate-papo diário. Foi uma forma de trocar a cidade abstracta pela cidade concreta, que é aquela onde o melancómico, pessoa como todas as outras, se pode sentir em casa.

O granizo relacional continua a persistir. A fazer o seu caminho indesejável. Há por estas bandas muita, muita gente que se conhece - de hospitais, de repartições, de infantários - e que, quando se encontra na rua, não se cumprimenta. Quando digo rua digo dois metros à porta do sítio onde cruza experiências, respirações e até confissões. É como se só naquele território reservado pudesse falar. Quando sai volta à cidade abstracta.

Já me aconteceu – já participei nesse enredo. O de naturalmente cumprimentar alguém que, fora do lugarzinho onde havíamos trocado palavras várias sobre o estado do tempo, o sentido da vida e o preço da limonada, não me conheceu. Se calhar - tenho medo de mim - também estou a entrar depressa nessa noite escura. Só me ocorre fazer uma pergunta de alto teor filosófico: andamos armados em parvos ou quê? Isto não é a distância própria das urbes. Isto é apenas ridículo. Vou chamar a Dona Firmina para puxar as orelhas ao pessoal.

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publicado às 22:03


1 comentário

De Lassalete Cunha a 21.01.2014 às 14:53

Neste enredo participo também eu há muito tempo. Sempre incomodou, se bem que agora um pouco menos, esta estranheza que se cria com as pessoas ruas adentro. Dou comigo a pensar o que faz com as pessoas tenham semelhantes atitudes tão, como diz, ridículas.

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