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“As nossas almas na noite”, de Kent Haruf

por Nuno Costa Santos, em 17.09.17

Um elogio mais do que merecido para a mão de Haruf, para o seu talento em criar frases com as palavras-notas certas (traduzidas, com respeito por esse dicionário despojado, por Paulo Ramos), a fazer lembrar a precisão que se associa à escrita de um Raymond Carver. Há também aqui um certo “dirty realism” na económica descrição de idas ao supermercado, na referência a marcas de chocolates e escovas de dentes, uma intenção de nomear o concreto sobre o qual acontece esta alegria breve. São conseguidos estes diálogos, naturalistas, mas suficientemente discretos para não caírem em açucaradas reflexões sobre o sentido da vida. Há aqui clichés, sim, mas aqueles clichés de todas as existências, necessários para aludir a qualquer relação amorosa, qualquer vida que traga consigo a cauda fantasmagórica do passado. À capacidade para pôr as personagens a falar sobre temas decisivos sem parecerem sábias e definitivas, junta-se um ingrediente humorístico, que tira peso a qualquer vertigem por um tom sentencioso. Durante um telefonema, Louis pergunta se está a experienciar um contacto preparatório para um encontro sexual. Addie responde com um misto de ironia e ternura: “São apenas duas pessoas de idade a conversar às escuras”.

 

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publicado às 10:46



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