Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Outro Albert

por Nuno Costa Santos, em 23.11.13

Foram amigos. Em 2013 Albert Cossery, como Camus, faria 100 anos se fosse vivo. Está vivo, desculpem. Por cá, vivíssimo. Nos livros da Antígona traduzidos por senhores como Júlio Moreira e Ernesto Sampaio. Cossery é urgente hoje. A sua defesa de uma vida lenta e sábia, tal como a da sua infância no Cairo, é urgente. Uma possibilidade que é fundamental não recusar neste totalitarismo do fazer. Cossery, vivendo em Paris - no pequeno hotel La Louisiane, na rue de Seine -, nunca deixou o Egipto, o modo alegre e premeditadamente vagaroso das suas gentes ("Trago-o comigo. E, mesmo os pormenores vistos ou ouvidos há cinquenta anos, consigo relatá-los num novo texto. Ficaram-me na memória"). Uma preguiça não de quem se deixou ir mas de quem reflectiu, como costumava dizer. De quem a quis, em nome de um desprendimento generoso. O Ocidente não lhe conseguiu impor a obrigação da ansiedade. Nem às suas personagens, que fumavam haxixe de uma forma tão aristocrática como habitual. Viveu como quis, pela amizade, pelo riso, por uma escrita vagarosa que ainda nos ensina. ("Conheço os homens melhor do que tu. Não hão-de tardar muito, afianço-te, a dar cabo deste vale fértil e a transformá-lo num inferno. É a isso que chamam progresso", "Mandriões no Vale Fértil"). 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:22



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

  Pesquisar no Blog


Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D