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Pixies

por Nuno Costa Santos, em 19.09.13
Agora que a banda está de volta com um novo EP, faça-se a pergunta: onde é que tu estavas quando ouviste Pixies pela primeira vez? Os Pixies foram o 25 de Abril musical da geração nascida no início dos 70's. "Where is My Mind", que todo o adolescente alternativo ouvia fechado dentro do quarto enquanto os pais iam sabendo, pelo telejornal, dos útimos anos da Guerra Fria, foi inspirada nas sessões de mergulho do senhor Black Francis/Franck Black nas Caraíbas (podemos imaginar uma capa da "Flash" com o rapaz a fazer uma declaração com um cocktail na mão: "Vim para aqui para procurar o sentido da vida"). "Surfer Rosa", de 88, não era - lembramo-nos bem - só esse hino. Era um álbum, uma unidade, um vulcão punk. Joey Santiago, Dave Lovering e Kim Deal. E eram as letras que se intuia-se serem do outro mundo mas que na altura, mais do que poemas bíblicos e extraterrestres analisados nos salões de chá da música indie, eram instantes sublimes de pura fúria. (Não foi preciso Kurt Cobain ter assumido que os Pixies foram uma das influências maiores dos Nirvana - a gente percebeu isso com "Smells Like Teen Spirit"). 

Depois, no ano em que em Manchester os Stone Roses editavam o primeiro álbum, veio "Doolittle", sobre o qual se podem sublinhar os mesmos elogios. Quem ouviu "Monkey Gone To Heaven" no "Indie Top" percebeu que estava para chegar mais um objecto tão estranho como viciante - tal como os filmes de David Lynch, uma referência para Francis. E ninguém está a falar de um hit de Verão de Vila Nova de Milfontes, "Here Comes Your Man". "Debaser" e "Wave of Mutilation" são canções canónicas e que não favoreceram qualquer "angústia da influência" nas bandas que vieram a seguir. Dizer que "Bossanova" (1990) foi um álbum mais bem comportado pode ser injusto. Traz na mala algumas duras rockalhadas mas de facto os temas-cartão de visita são "Velouria", "Dig for Fire" e "Ana". Black Francis estava numa fase caipirinha. Tivemos de o aturar assim como quem atura um amigo que sem aviso deixa o mosh no meio da pista para ir dançar para cima das colunas. Depois veio "Trompe Le Monde", início dos 90. E o que é que se pode dizer sobre? Que é o instante em que o bicho desce das colunas, volta para a confusão e aqui e ali faz stage diving. Potentíssimos originais como "Planet of Sound" e "The Sad Punk", temas lindíssimos como "Bird Dream Of The Olympus Mons" (quase tão bonito como "Hey") e uma versão inspirada e grata: "Head On", dos Jesus and Mary Chain.

Sem Kim Deal, o novo disco, que os meus ouvidos já espreitaram, é um disco centrista. Traz dois tipos de tons: um mais contido e outro mais poderoso, a apelar aos primeiros momentos da banda. "Indie Cindy" é uma graciosa e perturbante cançoneta com uma moça dentro. Equilibra os dois registos - por um lado é suavemente melódica e cândida, num estilo aparentado ao dos Grandaddy e ao do desconhecido mas muito recomendável David Pajo, e por outro passa-se de vez em quando. É desse desequilibrado equilíbrio que o mundo está a precisar.

 

 

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publicado às 22:14



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