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Dias para sermos amados

por Nuno Costa Santos, em 18.05.15

Os deuses escolhem os dias para sermos amados.
Instantes em que saímos à rua e somos apreciados nas vincadas imperfeições da nossa beleza sem nome.
Dias que não escolhemos,
que não marcamos na agenda como dias para sermos amados.
Dias que acontecem como acontece o sol, o fruto, o mil-folhas em exposição na pastelaria do Firmino.
No dia a seguir voltamos a ser espectros
em quem ninguém se demora.
Mas sabemos que noutra estação qualquer virá um dia em que seremos de novo escolhidos para sermos amados,
sem sabermos porquê.

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publicado às 02:02

Nomes da Minha Rua

por Nuno Costa Santos, em 17.05.15

 

Exausto do meu departamento de ironias e sentimentos
espreito a partir da janela aqueles que caminham nas ruas
como folhas de jornal a quem ninguém dedica uma palavra:
duas professoras que transportam batas
e ontem transportavam bibes,
um homem de calções vermelhos a segurar
uma mala de metal onde poderia caber a vida do bairro,
uma vizinha protegida do inocente frio de Fevereiro ao qual
o noticiário empresta má fama,
os fantasmas de famílias que por aqui passearam ao
longo das décadas, hoje abrigadas em álbuns
escondidos num sótão que só um empreiteiro irá visitar.
Prometo acompanhar-vos neste dia injusto para os vossos passos
e volto para dentro e sento-me em frente à máquina
e sei que amanhã, à mesma hora, junto à janela,
vou nomear os vultos que todas as manhãs dão nomes à minha rua.

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publicado às 10:41

Aquele Que Nunca Chega

por Nuno Costa Santos, em 16.05.15

Escreve na autoestrada o poema daquele que nunca chega.Passa por árvores que já cumpriram o destino de ser árvores.

Segue com a velocidade dos mortais,

acelera com a pressa dos imperfeitos num mapa sem poisos e localidades. 

Então abranda e deixa-se ultrapassar pelo passado que, esse sim, encontrou um sítio aonde chegar.

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publicado às 00:46

Vontade

por Nuno Costa Santos, em 16.05.15

Se não tens vontade de escrever um poema, escreve-o.

A poesia é a procura que o coração não quer fazer.
Fácil é desviar os olhos das flores, impedir os perfumes de se revelarem,
fechar o sol com a persiana.
Escreve, escreve como quem canta aquela canção da qual só sabes metade da letra.
Escrever um poema é inventar a letra até ao fim.

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publicado às 00:45

Nada

por Nuno Costa Santos, em 16.05.15

Vem de mãos a abanar

como todo o homem antes da morte.

Morrer é não ter nada nas mãos.

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publicado às 00:32

Os Poemas que Me Protegem

por Nuno Costa Santos, em 16.05.15

Tenho as costas quentes, protegidas pela poesia.

Atrás de mim, escreva um verso, preencha um recibo ou desenhe uma sinopse, estão poemas. Protegem-me das notícias e da manha das árvores, em permanente concurso de beleza.

Trago para a mesa um que assinala: tudo no meu sorriso diz que só me falta um pretexto para ser feliz.

Puxo outro que me oferece vinto e cinco poemas à hora de almoço.

E há um, desagradável e afoito, que me diz que os tempos vão bons para nós, os mortos.

Volto a coloca-los na estante ou são eles que sobem sozinhos, guardas recolhidos depois de terem prestado o serviço.

E então já me sinto melhor de mim próprio, com o comprimido tomado, a mão da mãe passou-me pela testa.

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publicado às 00:31

Hoje

por Nuno Costa Santos, em 14.05.15

Uma vez encontrei um velho que me disse:
“A vida não existe.
é uma ficção sem alicerces
onde nos abrigamos de coisa nenhuma”.
Nunca mais o encontrei.
Hoje deve vender gelados.

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publicado às 00:24

Consciência

por Nuno Costa Santos, em 14.05.15

O poeta tem consciência ambiental. No trânsito o poeta escreve poesia sem chumbo.

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publicado às 00:23

Time After Time

por Nuno Costa Santos, em 14.05.15

Fazer o tempo perder tempo.
E assim se gasta a vida
no parquímetro do momento
entranhando aos poucos a intriga
de um silente desalento.

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publicado às 00:11

Planeamento Urbano

por Nuno Costa Santos, em 14.05.15

A beleza cansa-se de tanto ser olhada.

Ao fim do dia uma mulher bonita sente-se fatigada de tanta atenção.
Um edifício também.
Uma casa.
Uma flor.
O leitor.

A beleza merece parcimónia no vislumbre se a queremos preservar.

Façamos turnos.
Organizemo-nos nas praças
e nos jardins.

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publicado às 00:11



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