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Eles são outros

por Nuno Costa Santos, em 20.11.14

1. António Pires de Lima é o Rui Reininho do CDS. Todos o invejam por aquilo que dizem ter bebido ou fumado antes de aparecer na televisão.

2. Rui Rio é o Rudolph Giuliani do PSD. Históricos sociais-democratas como Miguel Veiga pedem-lhe para fazer uma limpeza no partido.

3. António Costa é o Obama do PS. Começa a fazer grandes promessas que o poderão transformar de messias em falso milagreiro.

4. Xanana Gusmão é a Teresa Guilherme de Timor. A sua especialidade é anunciar as expulsões da Casa.

5. Luís Marques Mendes é o Diácono Remédios do comentário. Todas as semanas, no sábado à noite, quer evangelizar a vida política portuguesa.

6. Angela Merkel é o António Salazar da Europa. Acha que o melhor é deixar os portugueses na mais santa e desejável das ignorâncias.

7. Francisco George é o Bob Dylan português. Ao aconselhar os portugueses a não tomar duche, pode fazer crescer a comunidade hippie lusa.

8. Jerónimo Sousa é o La Palisse comunista. O líder do PCP declarou ao mundo que, da maneira como as coisas andam, o governo está politicamente condenado.

9. Maria Luís Albuquerque é a Maya do executivo. A ministra admite surpresas positivas em 2015.

10. Ricardo Salgado é o Ricardo Salgado da banca. Pelo que se vai sabendo todos os dias, não há ninguém que se lhe possa comparar.

 

(Sábado, semana passada)

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publicado às 01:00

Cioran

por Nuno Costa Santos, em 19.11.14

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 "En dépit de sa légende de misanthrope-ermite, Cioran était très ouvert à toutes les rencontres, pourvu qu'elles lui apportent, mieux encore à toutes les recontres, pourvu qu'elles lui apportent, mieux encore que la promesse d'un enrichissement intellectuel - il n´en avait guère besoin -, celle d'un divertissement.

 

Comme il l'a relaté dans ses 'Exercices d´admiration, sans doute l´un de ses plus beaux livres, cet homme quasiment atemporel avait connu au demeurant tous ceux qui méritaient vraitment de l´être en ce siècle, de Beckett qu'il surprenait régulièrement lors de ses promenades au Luxembourg à Michaux qui l´entraînait voir des documentaires scientifiques ao Grand Palais, en passant par les grands Roumains de Paris, Fondane, Celan, Eliade et Ionesco, son ami.

 

Mais il pouvait tout aussi bien converser des heures durant dans la rue avec des marginaux ou de vieilles prostituées. Il n´y avait, dans cette prédilection pour les 'ratés', comme il les appelait, aucune condescendance de sa part ni de voyeurisme: la vérité, c´est qu´il retrouvait en eux, mais sur un autre plan; et que l´idée que seuls les puissants, les intellectuels ou les artistes pussent être intéressants lui était foncièrement étrangère".

 

"Cioran, L´Hérétique", Patrice Bollon, Gallimard, 1997

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publicado às 22:34

Vamos

por Nuno Costa Santos, em 19.11.14

VAMOS MORRER

Vamos morrer, mas somos sensatos,
e à noite, debaixo da cama,
deixamos, simétricos e exactos,
o medo e os sapatos.

Pedro Mexia, "Senhor Fantasma", Oceanos, 2007

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publicado às 22:12

Para sempre

por Nuno Costa Santos, em 06.11.14

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 O meu tio Toni (Câmara), à esquerda, e o meu tio Eduardinho (Pavão), à direita. Dois dos melhores do meu pai que transferiram para mim a amizade que tinham para com ele. Já morreram. Mas nesta fotografia - que roubei ao Nuno, filho do primeiro - estão a rir e vê-los rir, mesmo que numa fotografia, é uma alegria para sempre.

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publicado às 21:31

Tio Toni

por Nuno Costa Santos, em 06.11.14

Aos 66 anos, morreu em Ponta Delgada António Nuno Alves da Câmara, engenheiro técnico agrário. O tio Toni. Não era meu tio de sangue. Era amigo do meu pai, um dos dois ou três grandes amigos do meu pai, daqueles com quem podia contar a qualquer hora do dia e da noite. Quando terminava um telefonema, não me mandava um abraço mas sim um beijo. “Um beijo, querido”. Sempre.


O meu pai e eu ainda miúdo íamos várias vezes, de madrugada, até à sua casa no Pico da Abelheira, Fajã de Baixo, freguesia de Ponta Delgada, território rural povoado por estufas de ananazes. Era o ponto de encontro para irmos para as caçadas e pescarias. Lá seguíamos nós: o meu pai, ele e o seu perdigueiro português. Caçava-se pouco, pescava-se pouco, mas eram momentos de companheirismo raro.


Mais recentemente dávamos passeios de barco. No último, há poucos anos, a partir de certa altura o tio Toni e o meu pai resmungaram ternamente um como outro, como acontecia de vez em quando. Motivo, desta vez: o facto de o meu pai achar que o amigo arriscava ao ir para mar sem ter um segundo motor a bordo. Eram assim os dois: opostos no feitio. Um muito preocupado com a segurança, outro aventureiro. Riu-se para mim e piscou-me o olho, o tio Toni. Como quem diz: isto passa. Era o arrufo do costume de dois amigos de infância.


Uma vez, quando soube que eu e a minha ex-mulher nos havíamos separado, ligou-me a saber de mim, do que se passava comigo. Gesto puro, de generosidade. Feito não a pedido. Porque achou que devia fazer. Fez o que às vezes um pai não consegue. Tentou saber o que ia no coração do filho do amigo. Como se o coração do filho do amigo fosse o coração do amigo. Como se também fosse o seu coração.

 

Um beijo, querido tio Toni.

 

(Publicado na Sábado)

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publicado às 21:23

Tópicos para ajudar as pessoas que se indignam com a “Escrita Criativa”

por Nuno Costa Santos, em 02.11.14

Há aí muita gente contra a escrita criativa. Pessoas que são mais contra a escrita criativa do que contra a fome e o desemprego. Eu quero ajudar essas pessoas. Vamos por tópicos:

1. A escrita criativa – tradução directa da expressão em inglês; prefiro apenas sessões de escrita ou oficinas de escrita – não dá a ninguém uma voz literária. Quanto muito ajuda os escribas a questionarem a sua voz.

2. Há quem tenha competência para orientar as sessões como há quem não tenha. Tal como há bons e maus psicólogos. Bons e maus jogadores de crapô. Cidadãos com boa vontade e charlatães.

3. Calma: vamos continuar todos a achar geniais – com um talento inexplicável e acima da mais elevada das nuvens – os autores que se indignam contra a escrita criativa.

4. Quem é contra todas as modalidades do género também pode ser contra a crítica literária. Quer as oficinas de escrita (sim, as melhores) quer a crítica literária (sim, a melhor) pretendem ajudar os leitores a tornarem-se leitores mais conscientes, mais atentos. Ou mais arrogantes com tudo o que lhes é sugerido.

5. Muitos daqueles que são, indignadamente, contra a escrita criativa dão, com as suas criativas críticas, aulas de escrita criativa. Algumas bem boas.

6. Já agora: toda a escrita é criativa. Até a escrita de um regulamento.

7. Philip Roth dá aulas de escrita. Pedro Chagas Freitas também.

8. Há quem tenha muitos textos na gaveta – ou nas pastas do desktop. É muitas vezes útil expô-los num contexto de grupo, fazer-lhes perguntas, tirá-los do cárcere.

9. A escrita criativa – ou aquela que nomeei em termos diversos – também é, ui escândalo, uma forma de ganhar dinheiro. Desculpem.

10. Obrigado sou eu.

 

(Publicado na revista Sábado)

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publicado às 10:14


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