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Um homem

por Nuno Costa Santos, em 13.10.14

Um homem que encontrei à noite perto da minha rua. Dirigiu-se a mim com um ar aflito mas contido.  Disse-me que ia para o Alto dos Moinhos, que achava a zona perigosa, que não devia ter saído de casa. Pediu-me apoio para chamar um táxi. Contou-me de uma mãe doente, de uma irmã doente também, da necessidade de seguir para casa de madrugada no comboio. Contou-me depois que era de Pardilhó e eu lembrei que era aí que Assis Pacheco passava férias e que foi aí que um amigo lhe tirou uma fotografia na qual fazia um manguito campestre. Passou um táxi. Chamei-o. O homem atravessou a rua a correr quase sem se despedir.

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publicado às 19:46

Rádio Amália

por Nuno Costa Santos, em 12.10.14

Vocês ainda não foram mas vão ser entrevistados pela Rádio Amália - no Madragoas da Amália, programa de André Santos e de António Vieira capaz de conjugar as vozes de Camané e de Carlos Ramos e citações de Beckett, Paul Ricoeur e Anjos. Em cima da mesa estava o livro "Vou Emigrar para o Meu País", de minha assinatura. É ouvir.

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publicado às 02:44

Avis

por Nuno Costa Santos, em 12.10.14

No próximo fim-de-semana sigo com uma série de cúmplices para um encontro literário: a 6.ª Edição Escritos & Escritores em Avis. Sempre gente boa e amiga nessa terra. Prevejo livros, conversas, debates, despiques, ternuras e petiscos. Alguns titulares: Afonso Cruz, António Manuel Venda, Fernando Dacosta, Gabriela Ruivo Trindade e Sandro William Junqueira. Bora.

 

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publicado às 02:43

Momus

por Nuno Costa Santos, em 12.10.14

O meu amigo Ricardo Gross trouxe para este chá dançante o artista Momus.
Escocês. Literato. Sexualizado. Solitário - mas que ficaria bem numa fotografia com Neil Tennant e Jarvis Cocker.

Lembrei-me desta música, gravada numa cassete de fita castanha, sobre um sentimento que nenhum de nós alguma vez experimentou: o ciúme. Tem, além de uma saltitona electrónica de feira, dois versos que resumem o programa: "And I don't believe in Platonic love/But I'm still jealous of Plato". Tá tudo dito, meus senhores. Venha daí o poeta.

 

 

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publicado às 01:51

Loja do Canto

por Nuno Costa Santos, em 10.10.14

 Junto à minha casa abriu uma mercearia nova. Não sei se são paquistaneses, indianos ou bangladeshianos. Sei que vieram para aqui oferecer um serviço de que necessitamos. Precisamos de pequenos mercados neste bairro dormente. 


Há mês e meio haviam estado aqui outros homens com uma das nomeadas nacionalidades a consultar o preço do espaço vago. Procuravam também um poiso aqui perto. Perturbou-me um pouco o que disseram: só precisavam de um quarto para dormir umas horas. Não falaram num sítio para viver.

Há muitos por aí. E a gente nem imagina o que é que vivem, como vivem. Pagam as contas, mandarão algum dinheiro para casa. Estão aqui como muitos emigrantes portugueses estão lá fora: para ganhar umas moedas, nada mais.

Daqui a pouco devo passar por lá. Para comprar alguma coisinha, mesmo que não seja necessária. Sou interesseiro: quero que fiquem por aqui. Pois, é bom poder ir fora de horas buscar um pacote de arroz ou uma garrafa de azeite ou cinco minis. Ah, ninguém se lembrou de os chamar Gandhis do Bairro.

 

(Publicado na Sábado)

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publicado às 20:33

F.J. McMahon

por Nuno Costa Santos, em 09.10.14

 

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De vez em quando em passeatas internéticas encontramos o sentido da vida. Aconteceu-me hoje ao descobrir o único disco de um senhor-songwriter que desconhecia, F.J. McMahon. O disco chama-se "Spirit of the Golden Juice" e foi gravado em 1969. Lembrou-me Fred Neil, que só se tornou conhecido a partir do momento em que o tema "Dolphins" entrou nos Sopranos. E Rodríguez, o figurão que o mundo descobriu através de um filme.


Parece que o disco está esgotado e que só pode ser visitado nos miraculosos postos de escuta online.

 

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publicado às 00:06

Alcochete

por Nuno Costa Santos, em 08.10.14

Ainda não percebi se falamos das nossas figuras públicas como personagens de telenovela ou como pessoas da nossa família. Nos cafés, nas ruas, nas repartições dizem-se e ouvem-se a cada instante nomes como "Rita Pereira"; "Diana Chaves", "David Carreira", "Judite Sousa", "Goucha", "Cristina Ferreira". E nomes de políticos, claros. E de jogadores e dirigentes da bola. São eles as nossas referências diárias. É deles que se fala a toda a hora. Os "exclusivos" de café são frequentes. Contam-se histórias que são apresentadas como "caixas" de bairro que nem os jornalistas têm.

E já se fala da vida de cada um tendo como referência os gestos de quem está no palanque. Na semana passada, para os lados de Benfica, um homem tentava explicar a um amigo que o filho, Mauro, tinha mudado de casa: "Foi viver para aquela merda do Sócrates. Como é que se chama?". Pausa. "Alcochete. É isso, Alcochete".

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publicado às 23:20

Desculpa

por Nuno Costa Santos, em 07.10.14

Portugal, apesar do seu catolicismo entranhado, é um país que não aceita que as figuras públicas peçam desculpas. Em privado ainda vá. Nos palcos é que não. Gritar certezas - mesmo as mais fáceis e ocas - garante logo uma centena de apoiantes (é ver isso nas televisões e nesta internet). Espalhar ódios traz plateias ululantes. Pedir desculpas - seja um político, seja um jogador de futebol, seja um articulista - provoca a debandada das gentes. Revela fraqueza. Fragilidade. Coração.

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publicado às 22:25

...

por Nuno Costa Santos, em 07.10.14

No outro dia, num dos ensaios do espectáculo "I Don´t Belong Here", o Dinarte Branco e eu partilhámos este instante televisivo do programa "Os Contemporâneos" com o grupo de actores.

Lembrámo-nos de um trabalho que havíamos feito juntos - o Dinarte representou e eu escrevi -, do qual muito nos orgulhamos. Uma parelha cronística que nos prometeram que ia continuar no programa mas que foi "descontinuada" pela direcção da RTP em nome da necessidade de haver mais "bonecos" televisivos e menos sobriedade humorística. Aos olhos dos senhores, instantes como este não iriam chegar ao telespectador. O argumento de sempre, mesmo numa televisão pública.

Ao revermos esta crónica televisiva percebemos que nestes dias, com todas as suas peripécias trágico-bancárias, se tornou ainda mais pertinente.Tem uma frase-chave: "Portugal é um país tão pobre que até as caixas Multibanco não têm dinheiro". O resto não revelo que é para espreitarem:

 

 

 

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publicado às 21:54

Pequeno milagre

por Nuno Costa Santos, em 06.10.14

Passeio-me pelas internet. Fixo duas notícias. A primeira explica-me que até a fantasia está em crise. A Eurodisney tem uma dívida grande, um público escasso e por isso vai avançar com um resgate financeiro. Percebe-se que isto anda mesmo mal quando até o Mickey, que já estava a recibos verdes, pode ser despedido.


No meio dos escombros, temos milagre: há uma nova livraria de qualidade em Lisboa – na Guilherme Cossoul (Rua D.Carlos I, n.º 61). É do Ricardo Ribeiro, o Sr Teste, um dos chefes da extinta Trama, junto ao Rato, a minha livraria preferida durante o tempo em que viveu.


O governo anda a repor à pressa, agora que se aproxima a meta das eleições, algumas possibilidades que nos foram retiradas. Para citar Tozé Seguro, fica-lhes mal. Mas, já agora, que volte também a dar aos leitores portugueses o direito de comprar bons livros, novos ou antigos, escolhidos por quem os sabe escolher.


Para além da boca de balcão, a nota necessária: basta cada um dos vastos leitores que por aí circulam comprar um livro por ano para que se contribua para a longa vida deste reduto de exigência cultural, fora das agendas. Não basta celebrar. É preciso lá ir.

 

 

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publicado às 23:02



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