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Exímio

por Nuno Costa Santos, em 07.04.14

A função essencial do cérebro é fazer-nos esquecer todos os dias de que vamos morrer.

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publicado às 00:03

Vai-se falando do assunto no bairro

por Nuno Costa Santos, em 06.04.14

Acreditar ou não em Deus depende da medicação. Alguns comprimidos deviam vir com esse efeito secundário: a partir da terceira semana vai deixar de acreditar em Deus. Deus e as farmácias são concorrentes. 

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publicado às 19:13

O Último Golo

por Nuno Costa Santos, em 04.04.14

 

 

Nestes últimos dias tenho espreitado o futebol no café onde escrevo. As televisões transmitem-no a toda a hora. Campeonatos estrangeiros. Levanto a cabeça do portátil. A Roma joga com o Parma. Aos 12 minutos, Gervinho marcou o primeiro, Acquah empatou o jogo três minutos depois e Totti deu nova vantagem à Roma no minuto a seguir. Estamos nesta fase de um filme que é fúria italiana, das mais quentes e combativas. Sim, aqui, neste café, sou de novo o menino que adormecia a inventar, um a um, os lances da minha equipa.

Mas logo chega, com o café e o açúcar, a melancolia. A de saber que, vítima de meniscos castigados, já não poderei jogar à bola – a não ser em inofensivos joguinhos com a filharada nos relvados da urbe. Parece discurso de jogador pro mas foi mesmo assim: a última lesão aconteceu há um ano e meio, por aí. Levou-me a uma consulta hospitalar onde fui tratado com aquela gélida amabilidade com que, hoje, alguns médicos nos vão recebendo nos consultórios. Olhou de longe o joelho e sentenciou, com um humanismo e um rigor científico de impressionar um júri académico: “Isso 'tá mau”.

 

O resto aqui.

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publicado às 16:34

A Coragem da Dúvida

por Nuno Costa Santos, em 04.04.14

Não conheço ninguém em Portugal que tenha dúvidas. Ah, é você. Ok, desculpe. Até agora não conhecia. Ouço muita gente – aqui na rua e no bairro público - a afirmar sentenças claras como uma tarde de Agosto, inequívocas como um regulamento. Quando alguém se prepara para exprimir a sua opinião, fico a olhar-lhe o rosto. Tento espreitar um tremelico de um músculo facial, um sinal físico de indagação, de procura, de questionamento. Nada. O músculo fica sempre esticado. Engatilhado para o disparo. E dispara.

Lembrei-me do assunto depois de ter ouvido uma boa conversa, em ambiente universitário, com o Jacinto Lucas Pires. Sonho com o dia em que um agente político relevante – português ou europeu - tenha a bravura de fazer uma conferência de imprensa para revelar que, no estado babélico que em isto está, tem uma interrogação para revelar, não a exclamação do costume. O instante em que um comentador mande desligar o microfone porque o que lhe vai na alma é uma agonia de pontos de vista que o consomem e não o deixam dormir. O segundo em que, no café, o homem com o cabelo puxado para trás com uma brilhantina anacrónica, estacione o verbo para confessar que não tem nenhuma convicção sobre o árbitro da partida do fim-de-semana seguinte.

 

O resto aqui.

 

 

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publicado às 00:16

O Caos Como Ele é

por Nuno Costa Santos, em 02.04.14

Aplaudimos séries, telenovelas e filmes nos quais o ser humano é colocado em situações-limite mas depois ficamos perplexos quando acontece algo do género nas nossas vidas. “Mas o que é isto que me está a acontecer?”, perguntamos a nós próprios, ao lavarmos os dentes defronte de um espelho baço. E o espelho parece responder, abrindo uma clareira inesperada: “O que te está a acontecer é o que já viste na TV antes de ires dormir debaixo de um edredão incapaz de te proteger do caos da vida.” 

É como se achássemos que há dois mundos: o mundo da tela, do cinema ou caseira, e a nossa biografia, blindada a qualquer peripécia que ponha em causa uma caminhada à prova dos abalos sísmicos. A vida como ela é, para citar o brasileiro Nelson Rodrigues, companheiro de prazeres e agruras vários, não é um planeta puro e idílico. É a mesma desordem que alguma da melhor ficção tenta imitar. Por mais que nos esqueçamos dessa evidência, um despedimento brusco, uma paixão sem notificação prévia, um gesto inimaginável não acontecem só naquelas histórias descritas no calendário televisivo. Também fazem parte das sinopses disto de existir.

 

(O resto aqui. Obrigado sou eu).

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publicado às 12:53

como é que estão essas unhas?

por Nuno Costa Santos, em 01.04.14

 

 

No liceu houve uma professora que me ensinou a não roer as unhas. Ensinamento decisivo. De quando em vez ia verificar se as tinha roído, se as tinha perturbado com os meus dentes de adolescente ansioso. Levei tempo a perceber: ela estava a ensinar-me a perder o medo. Deixei de ter aulas com essa professora e mais tarde, pouco a pouco, no pátio, em casa, voltei ao vício. 

Quero saber como é que andam as unhas dos meus compatriotas. Vá, mostrem-mas. Quero saber como é que andam de aflições, de agonias, de ânsias. Não, não quero mais um estudo certificado por uma universidade de prestígio qualquer. Quero ver as unhas mesmo. As garras de cada um. Averiguar, através da ponta dos dedos, qual o grau de apreensão do país.

 

(O resto aqui s.f.f)

 

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publicado às 17:18

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