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Champagne Supernova

por Nuno Costa Santos, em 10.01.14

Os irmãos Gallagher (os Galagas, aqui no bairro) vão abrir um bar em Manchester e assim pôr fim à intifada fraterna que já dura há uns anos. Ouvi a notícia de manhã na Radar e fiquei logo bem-disposto. Em princípio o bar vai chamar-se “Champagne Supernova”. Que é uma das canções pop mais belas que esta terrinha de dinossauros e ipods viu em dias de sua caótica existência. Livrem-se de contrariar aqui o idoso.

“Champagne Supernova” é para a minha sentimental pessoa uma celebração maior da amizade. Ouvi-a numa passagem de ano da década de 90 com o meu amigo Bernardo. Estávamos em minha casa, no Livramento. Vestíamos o smoking que se usa nas passagens de ano e nos bailes de Carnaval em São Miguel. Tínhamos um copo de champanhe na mão e estávamos preparados para um pé de dança com moçoilas dadas ao chá-chá-chá e ao slow - para uma recuperação breve das noites de escorregadias danças de salão que havíamos tido uns anos antes, na nossa adolescência insular e regabofeira. E a MTV resolve passar o vídeo do temazinho. 

Estou a ver-nos: dois rapazes de smoking a cantarolar uma canção de uns rapazes tão capazes de manifestações de mau feitio como das mais épica das doçuras. Inspirados pelas estrelas do hino oasiano, saímos depois de casa e tivemos uma noite de pândega dançarina ao som de melodias como “Meu Amigo Charlie Brown”, cançoneta tão boa como “Champagne Supernova” e também uma celebração do melhor nos cabe aqui em baixo. 

Os irmãos Galagas são novamente amigos, por intermédio da mãe (sempre as mães a tratarem dos assuntos mais importantes). E eu, um dia, hei-de ir ao bar dos manos com o meu amigo Bernardo. E vamos dançar a mesma coreografia. E cantar com o mesmo calor e sentimento. E erguer um copo de champanhe. E levar com uma garrafa de cerveja na testa atirada pelo Liam. É pessoa para isso, como sabem.

Vá, chamem o gato, a família e a vizinhança. Ponham lá o vídeo a rolar. É hora de karaoke. 

 

 

 

 

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publicado às 01:03

Isto Esta Semana Tem Andado Muito Complicado

por Nuno Costa Santos, em 08.01.14

De um momento para o outro os portugueses tornaram-se as pessoas mais ocupadas do universo. A desculpa que tenho mais ouvido nos últimos tempos é “isto esta semana tem andado muito complicado”. Quase tão boa como aquela que é usada por quem quer simplesmente zarpar mais cedo: “Tenho de ir buscar os meus filhos à escola”. Há quem não sendo nem pai nem mãe já a use. Percebo. É eficaz. Que pessoa é que tem lata para contrapor: “Ficas mais é aí quietinho e o teu filho Rigoberto vai ficar no pátio, sozinho, a chorar, debaixo de chuva, enquanto vê o pai do Martim, do Henrique e da Josefa vir buscar os seus pequeninos”? Mesmo que seja mentira – e muitas vezes será – o melhor é não arriscar. O melhor é fazer a reserva de um andar da Remax no Condomínio do Céu. Com um comentário ternamente paternalista: “Vai-te lá embora, rapaz, que a gente trata aqui do assunto!”. E o assunto é rever as vírgulas de um processo de 17892 páginas.

Mas vim à crónica para me vingar da outra, a do isto tem andado muito complicado. Que possibilidades nos restam quando o pedido de cumprimento de uma mini tarefa profissional ou a marcação de um café de vinte e dois segundos ficam barrados pela frase “isto esta semana tem andado muito complicado” - por vezes antecedida de um “sabes”? O “sabes” é um requinte que blinda qualquer refilanço. É uma forma de exigir a empatia. “Sabes, isto esta semana tem andado muito complicado”. Que quer dizer “aproveita bem o privilégio de saber que eu sou uma pessoa muito ocupada porque tens a sorte de ser meu amigo. Os outros não sabem porque não o merecem”. Fica-se sem armamento possível. 

Há lusitana gente com mais ambições que arrisca desculpas de outro alcance: “Isto este mês tem andado muito complicado”. Os neuróticos vão para um “isto este ano”. Só falta o "isto este século". Como é que se dá a volta a este argumento? Como é que se prova que - também muito nacionalmente - se consegue dar um jeito ao tempo. Não sei. Não sei mesmo. Mas vou investigar. Quando tiver um tempinho. Isto esta semana. "Deixa só passar esta fase".

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publicado às 21:05

O Funcionário da EMEL Terno

por Nuno Costa Santos, em 07.01.14

Há um mês fui desbloqueado por um funcionário da EMEL terno. Ou melhor: a minha viatura foi desbloqueada por um funcionário da EMEL amoroso. Todo ele era doçura, bondade, amor. Antes do desbloqueio, o rapaz, magro e compassivo com um monge tibetano, deu-me conselhos: "Por que é que não vai pedir um selo de residente? Por que é que não trata disso amanhã?". Mesmo quando lhe contei que já havia tentado tratar do assunto mas que não tinha recebido resposta afirmativa, o moço não desarmou: "Mas tente outra vez. Olha que desta vez vai dar". Só faltava dizer: "Você merece que até é um gajo porreiro". E mereço. Não por ser um gajo porreiro. Porque sou mesmo residente na zona.

Enquanto desbloqueava aquilo que provavelmente havia bloqueado (foi ele, só pode ter sido ele), foi falando comigo como um amigo que nos acompanha nas situações difíceis da existência. Era uma atenção genuína, sem cinismos ou sarcasmos. A expressão e o tom de voz queriam dizer: "Olhe que estas coisas acontecem". Ainda sublinhou, como um jurista sem carta, que não me estava a passar uma multa mas sim "uma coima". Ui, que alívio, pensei. Já posso ir para casa com o coração em modo de descanso.

Fui topando o bicho. O funcionário da EMEL terno fazia todos os esforços para que este cidadão que vos escreve não se sentisse tão culpado pelo seu crime. Havia nele um padre, um homem que percebia o sofrimento e a dor que era suportar a culpa do pecado automobilístico. A humilhação de ter de contar a ocorrência à mulher. Aos filhos. Aos amigos. Ao dono da mercearia. Ao psicólogo. Intuiu na minha expressão que não tinha existido intenção de virar costas ao parquímetro. Para ele, eu só me havia esquecido de colocar moedas na ranhura da memória. E estava certo, mas não precisava de declarações nem de juras. Na sua generosidade natural, fazia questão de adivinhar que era assim.


Ocorre-me agora que fomos todos há um tempinho o cidadão surpreso que fui naquele instante. Quando demos por nós já tínhamos o país bloqueado. Não pela EMEL mas pela Troika, essa EMEL internacional e ainda mais dura e penalizadora (o que é difícil, diga-se). Resta saber se, na altura de desbloquear o país, os funcionários da Troika vão ser amáveis como a ternurinha de moço da EMEL que me socorreu. Se nos vão aconselhar: "Por é que não arranjam um selo de residentes?". Dizer: "Vocês merecem que até são uns gajos porreiros". E merecemos. Merecemos, sim. Não por sermos uns gajos porreiros. Por sermos mesmo residentes na zona.

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publicado às 18:58

O Nome dos Nossos Pais

por Nuno Costa Santos, em 06.01.14

José Ferreira Fernandes, um homem que desceu à Terra para ser cronista, escreveu o seguinte no final de um texto sobre o Pantera Negra: “Eusébio, minha lenda, filho do angolano Laurindo e da laurentina Elisa, tanto mundo, tanto nosso mundo...”. Que beleza que é. Que humano que Eusébio ficou, assim apresentado, juntinho aos pais e ao sítio onde nasceram – ele que tem sido lembrado cada vez mais como o Deus que nunca quis ser. 

Essa nota levou-me para um pensamento que me tem acompanhado nos primeiros dias do ano: é bom lembrarmo-nos com frequência do nome dos nossos pais. Ou do nome dos nossos amigos. Ou do nome dos nossos primos. E vizinhos. E até mesmo do nome dos nossos inimigos. E do sítio de onde chegámos, mesmo que seja a rua ao lado daquela onde vivemos. E relacionarmo-nos com eles. Eu, por exemplo, sou filho do Victor e da Maria Helena, mesmo que um dia tenha a possibilidade de recusar um prémio da Academia Sueca. Percebem onde é que quero chegar? Ao lembrar-me do nome dos meus pais fico menino outra vez. Um menino que precisa de ajuda para se sentar no baloiço.

Mesmo que precisemos de nos perdemos na abstracção, na evasão – e não há quem não precise dela, mesmo nas aldeias mais pequenas – é bom e apaziguador situarmo-nos. Todo o ser humano tem pelo menos um momento na vida em que julga que é apenas um homem. Um ser. Quem sabe o único ser no mundo. Sem ligações, sem pertenças. Mas toda a gente pertence a algum território material e humano, mesmo que a um território imaginário. Ou seja: o homem é concreto. Ninguém apareceu aqui à boleia.

Lembrarmos-nos de onde viemos – de que gente, de que sítio - ajuda a controlar egos e manias, para quem as tem de um modo generoso (e o facebook veio comprovar que a vaidade não é exclusivo das figuras públicas). Imaginem um tipo que se julga o génio do bairro (acontece muito). Se se lembrar de que é filho da Maria e do António baixa logo a bolinha. Ou primo do Mário e cunhado da Dina. Desce logo à terra. Mesmo que, por acaso, seja mesmo o génio que proclama ser. Todo o génio vem de um ninho. Eusébio veio dali, do bairro de Mafalala. E teve uns pais com nomes tão bonitos.

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publicado às 22:24

Egoísmo Fabuloso

por Nuno Costa Santos, em 05.01.14

Praticar o bem é a melhor forma de se ser egoísta. Concordo portanto com aquelas vozes que defendem que as pessoas têm gestos generosos com o objectivo primeiro de apaziguar a consciência. Só que prefiro não lançar a observação com azedume crítico. Até porque acho isso de apaziguar a consciência uma coisa porreira. Se um tipo tem uma atitude simpática e ainda por cima fica com o coração mais calminho por causa disso parece-me que não está propriamente a fazer merda.

Escrevo estas palavras enquanto está a dar o Factor X – a Mariana nunca mais chega! – e tenho no colo, como se fosse um bebé gordo e chorão, o livro “Uma Coisa Supostamente Divertida Que Nunca Mais Vou Fazer”, do moço David Foster Wallace (edição Quetzal). O último "capítulo" é um apelo, realizado numa conferência numa universidade, a uma atitude compassiva, sem religiosidades à mistura, sem moralismos, sem gangas. Feito, diga-se, por um escritor com um galáctico talento para o sarcasmo. O que torna a acção ainda mais forte e comovente.

Foster Wallace, um deprimido profissional que se suicidou em 2008, defendeu algo que qualquer adiantado mental classifica negativamente como um cliché. Mas o mundo é um cliché e não há nenhum adiantado mental que consiga promover o apagão dessa evidência. A dado passo Wallace, o irónico criador de “A Piada Infinita”, diz: “As trivialidades banais podem ter uma importância vital”. E que trivialidades banais são estas que David, apreciador de ténis e de Lynch, defende? Isto: “O tipo de liberdade realmente importante tem a ver com atenção e consciência, disciplina e esforço e sermos capazes de nos preocuparmos verdadeiramente com as outras pessoas e de nos sacrificarmos por elas, repetidamente, de um sem-número de formazinhas insignificantes e nada sexys, todos os dias”. Toma lá. Vai buscá-la. Arruma. Tu é que querias festa, como grita o Toy. Aguenta-te com esta.

Foster Wallace podia ter ido ao Kenyon College fazer uma data de piruetas verbais para arrancar o riso inteligentíssimo da audiência composta uma rapaziada cheia de referências e cepticismo na mala. Mas preferiu contar uma história simples, como Lynch fez certa vez, surpreendendo com um filme sobre o perdão e a amizade aqueles que aguardavam mais um exercício artístico estranho e labiríntico. Wallace preferiu sublinhar a possibilidade que alguém tem de por um segundo deixar de se considerar “o centro absoluto do universo, a pessoa mais importante, mais brilhante e mais real que existe”. Foi de homem. Foi, sim senhor.

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publicado às 23:43

Parvalhões e Mártires

por Nuno Costa Santos, em 04.01.14

Tenho encontrado inúmeros parvalhões no atendimento - que possivelmente já tiveram de lidar com muito parvalhão. Podia começar por dizer: tenho encontrado gente má e odiosa no atendimento – em repartições, hospitais, lojas, etc. Mas não estaria a ser rigoroso. A verdade verdadinha é que tenho encontrado apenas inúmeros parvalhões no atendimento. Pessoas que fazem má cara quando me dirijo a elas, pessoas que me atrapalham a vida porque impõem a dificuldade e a burocracia. Não são mauzões, não. São apenas parvalhões.

E como é que eu chego a esta tese de que são apenas parvalhões - e não seres que vieram do espaço para sabotar a minha vontade de ser feliz? Porque já percebi que é mais ou menos fácil desequilibrar o esforço que fazem para ser parvalhões. Porque, ao contrário do que acontece noutros territórios e países, os parvalhões que por aqui andam são vulneráveis. Não são máquinas. Não são dispositivos. Não são sacanas. São corações molinhos que precisam de um incentivo para deixarem de ser parvalhões. São apenas antipáticos como alguns miúdos de hoje que precisam de um elogio para nos dirigirem a sua douta palavra.

Há, é sabido, técnicas para combater a parvoíce no atendimento. O sorriso é sempre bom, embora seja perigoso - não funciona de imediato. Há sempre aqueles doze segundos em que o parvalhão olha para nós com o ar de quem pensa, muito portuguesmente: “Este gajo está a gozar comigo ou quê?”. Falar da situação do país, dos políticos e do Cavaco vai funcionando. “Tamos como tamos e o Cavaco que não faz nada!”. Pumba. Gelo escangalhado. Mas não há nada como fazer uma notinha mais pessoal, emotiva, que vá directa ao sentimento. Um comentário do tipo: “O meu filho está com a gripe. E o seu, como é que anda?”. Mesmo que o funcionário não tenha filhos, tem sobrinhos. Ou um dia já foi um garoto infeliz com o nariz entupido. E isso fá-lo baixar as defesas. Tornar-se amigável. Despachar-nos a vida. Deixar de ser parvalhão. Mais uns minutos e acabava tudo aos abraços. E vamos embora. Sem cumprimentar o mártir seguinte.

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publicado às 22:58

Vá lá, deixem-me ser artista

por Nuno Costa Santos, em 03.01.14

As pessoas acham-me pretensioso quando digo que sou artista. Então também vou passar a indignar-me quando alguém me disser que é médico. Ou deputado. Porra, sou artista - bom ou mau, conforme o comentador de esquina. Não se incomodem por afirmá-lo. Não sou Deus, calma. Sou apenas artista. Tirei o curso de profeta mas chumbei nas orais. Recrio apenas o mundo através da minha lente deformadamente – não se ofendam – artística. Nasci assim, com estechip, como outros nasceram para bloquear carros (uma arte menos apreciada). Estando aqui nesta esplanada a beber uma imperial e a escrevinhar uma crónica, começo a olhar as moças afectadas aqui ao lado como personagens de um romance que nunca escreverei. Há pouco não disse: sou um artista, mas um artista português. Tenho muitos projectos enquanto bebo imperiais.

Não me estou a armar aos cucos, generosos companheiros de outros ofícios. Estou armado naquilo que sou. O que não me parece assim tão atrevido. Se calhar isto de um tipo não poder dizer nem aos amigos que é um artista vem daquela característica nacional de termos todos de dizer “muito modestamente” que somos uns bichinhos, à espera que os outros (ah, os outros) nos digam que somos aves raras. Não me lixem. Não sou uma ave rara. Sou um despassarado.

Esta mania de olhar o artista como um ser excepcional, um extravagante, uma figura que um grupo de sábios classifica como merecedora de medalha só atrasa a vida habitual que merecemos ter - nós, criativos (eu bem tento arranjar outros nomes mas soa sempre pior). Eu não quero uma estátua. Quero amorzinho e leite meio gordo. E, já agora, relembro a amável comissão que isto de ser artista não é nenhum elogio – nas famílias do Estado Novo (e ainda as há) até é um insulto. Se fosse um elogio estava tramado. Uma pessoa, em Portugal, se estiver à espera de receber um elogio, petrifica. Digo eu, que nunca tirei senha para o efeito.

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publicado às 16:58

Eu Já Tenho 4 Anos

por Nuno Costa Santos, em 02.01.14

O filho de um dos meus melhores amigos deu-me a mais relevante informação de 2013: “Eu já tenho 4 anos”. Passávamos umas horas juntos, acompanhados de um grupo de cúmplices, demos um passeio à procura de uma pastelaria, comemos um bolo, e de vez em quando o rapaz voltava à carga, como quem fazia um lembrete fundamental: “Eu já tenho 4 anos”. Ok, já percebi. Não me atires novamente isso à cara, por favor.

Na pastelaria a vida continuava, os adultos comentavam as irrelevâncias políticas, filosóficas e futebolísticas do instante e o rapaz, sentado na sua cadeira, voltava-se para mim, olhava-me nos olhos e punha-me no lugar com aquele rosto orgulhoso de quem anda aqui para tomar conta do mundo: “Eu já tenho 4 anos”.

Só passadas umas semanas depois do encontro é que percebo a lição que me estava a dar. O orgulho do Francisco é um ensinamento para o adulto que provavelmente nunca serei. Ele, aos 4 anos, é mais ajuizado do que eu. Assume com garbo a sua idade - já algo provecta, diga-se, quando comparada com a do meu sobrinho, que acaba de nascer e ri-se para nós com aquele ar confiante de quem nos quer dizer a idade que tem (hoje as crianças nascem com uma vocação imperial). As primeiras palavras do meu sobrinho não serão “mãe e pai” mas sim umas tão prematuras como maduras: “Eu já tenho oito meses”.

Ocultei, envergonhadamente, a minha idade ao Francisco. Mas isso vai mudar. Vou comunicá-la em breve. Já não lhe vou esconder a idade que tenho como quem esconde as músicas foleiras que anda a ouvir na internet. Depois deste ensinamento do Francisco, daqui a nove meses, na data do meu aniversário, vou chegar ao pé dele e afirmar, com a mais justificada das soberbas: “Eu já tenho 40 anos”. E quando tiver 72 também. Obrigado, velho amigo.

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publicado às 17:36

2013 + 1

por Nuno Costa Santos, em 01.01.14

2014 é 2013 com mais um dia. Peço desculpa pela tirada de interesse filosófico superior. É o que de mais inteligente me ocorre dizer nesta inauguração, neste corta-fitas do calendário. Eu cá estou na mesma: continuo com esta mesa desarrumada, com DVD's, papéis amarrotados, um copo de água meio cheio, um buda desligado (este é daqueles que se iluminam assustadoramente com várias cores), uma folha de papel com delírios escritos e gráficos dos meus filhos e  livros por terminar - exemplos: o "Livro do Desassossego", daquele rapaz avariado que a gente conhece, está na página 152, a "Alma Conservadora", de Andrew Sullivan, está na página 116, "Biografia de Cristal", de Jorge Listopad, está na página 16. Também tenho aqui ao meu lado um livro da Hiena com Antonin Artaud na capa - por causa de um trabalho. Diga-se que o senhor Artaud está com a cara de quem saiu ontem à noite no Cais do Sodré, conheceu três islandesas e hoje anda a suportar um ressacão daqueles.

 

A minha mulher vê televisão e daqui a nada vou aninhar-me junto a ela, como um gato desajeitado e grandalhão. Vou pedir-lhe para espreitarmos um programinha fixe, inofensivo (o Bergman fica para as sessões do Nimas que vêm aí). Hoje não vou buscar um mini copo de Tullamore Dew porque já dei cabo da garrafa ontem à noite, antes de sair de casa para uma festarola privada e íntima em casa de um tio.  Acaba de me entrar em casa, via Spotify,"Mad Jack", dos Chameleons, música que ouvi no ano passado e que vou ouvir mais vezes este ano. Certinho como os emails mensais da EPAL.

 

Arrumei as cuecas na gaveta da mesinha de cabeceira. Frequentei a casa de banho.  Sentei-me na minha poltrona de marginal ameno a ler. Espreitei um parágrafo de Nelson Rodrigues e outro do também cronista brasileiro António Prata (este da minha criação):" Dizem por aí que a nossa missão na terra é escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho. Bobagem. O que importa é encontrar uma poltrona. Tá bom: um amor e uma poltrona. O resto, se tiver que vir, virá".

 

Se querem que vos diga ainda não percebi o que é que 2014 trouxe de novo. Ah, existe uma novidade. Escrevi esta crónica. E decidi, com toda a insânia de que sou capaz, que vou escrever crónicas - uma por dia, quem sabe (o que ando eu a prometer, deuses?). É, garanto-vos, uma das primeiras más notícias do ano para vocês: vão ter de me aturar. Ainda mais. 

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publicado às 19:35

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