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By heart

por Nuno Costa Santos, em 24.11.13

Fui ver ontem o espectáculo "By Heart", do Tiago Rodrigues e do seu Mundo Perfeito. Está lá tudo o que tem marcado o trabalho do Tiago: histórias, boas histórias, risco, uma relação directa/interpeladora com o público. Dez pessoas em palco, saídas do público, aprenderam ali um soneto de Shakespeare. E nós com elas. Pelo meio há uma história na primeira pessoa de um neto a falar da relação com a sua avó - e o gesto de lhe levar livros. E os convidados especiais: Pasternak, George Steiner,  Ray Bradbury. E o coração de toda gente.

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publicado às 18:36

Outro Albert

por Nuno Costa Santos, em 23.11.13

Foram amigos. Em 2013 Albert Cossery, como Camus, faria 100 anos se fosse vivo. Está vivo, desculpem. Por cá, vivíssimo. Nos livros da Antígona traduzidos por senhores como Júlio Moreira e Ernesto Sampaio. Cossery é urgente hoje. A sua defesa de uma vida lenta e sábia, tal como a da sua infância no Cairo, é urgente. Uma possibilidade que é fundamental não recusar neste totalitarismo do fazer. Cossery, vivendo em Paris - no pequeno hotel La Louisiane, na rue de Seine -, nunca deixou o Egipto, o modo alegre e premeditadamente vagaroso das suas gentes ("Trago-o comigo. E, mesmo os pormenores vistos ou ouvidos há cinquenta anos, consigo relatá-los num novo texto. Ficaram-me na memória"). Uma preguiça não de quem se deixou ir mas de quem reflectiu, como costumava dizer. De quem a quis, em nome de um desprendimento generoso. O Ocidente não lhe conseguiu impor a obrigação da ansiedade. Nem às suas personagens, que fumavam haxixe de uma forma tão aristocrática como habitual. Viveu como quis, pela amizade, pelo riso, por uma escrita vagarosa que ainda nos ensina. ("Conheço os homens melhor do que tu. Não hão-de tardar muito, afianço-te, a dar cabo deste vale fértil e a transformá-lo num inferno. É a isso que chamam progresso", "Mandriões no Vale Fértil"). 

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publicado às 18:22

A causa do sentimento

por Nuno Costa Santos, em 23.11.13

Fenómenos como a adesão nacional ao concerto dos National fazem-me suspender por três segundos a convicção de que estamos a ficar todos cínicos. Até os durões foram e comoveram-se - e depois postaram vídeos nas redes. Isto quer dizer qualquer coisa. 

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publicado às 18:14

As Primeiras Coisas

por Nuno Costa Santos, em 22.11.13

Lembro-me de há uns anos ter lido num blogue um texto do Bruno Vieira Amaral que me impressionou. Falava da condição humana com tomates, sem brincadeirinhas na areia de quem quer os olés das bancadas.  Fugia ao cinismo militante, esse veneno social que nos vai matando. Lembro-me: parecia um trecho autobiográfico mas também podia ser o relato literário de uma personagem a expor a sua melancolia na primeira pessoa.  Decidi-me pela primeira hipótese, orgânica, arriscada, sabendo que a partir do momento em que o eu é descrito literariamente já não é o eu da existência mas o eu da literatura. Topei o seu gosto por Nelson Rodrigues e percebi ali um tom que se aproxima da implacabilidade com que Nelsinho escrevia sobre a "vida como ela é". Uma vida bruta e terna. Puta e menina. Vadia e íntima. Descrita de um modo tão talhante como humano. Humaníssimo. Encontro o mesmo tom em "As Primeiras Coisas", o seu primeiro romance. Agora já não leio as histórias por ordem. "As Primeiras Coisas" é uma lista telefónica da solidão. Abrimo-lo ao acaso e encontramos personagens-pessoas (a Adozinda, o Barbosa, o Bêbado, a Dona Ilda,  o Joãozinho Treme-Treme, a Paula, o Roberto) a quem poderíamos telefonar, mesmo que já mortas,  abandonadas num apartamento, numa lixeira ou atravessadas de balas e com o crânio desfeito. Ao descrever os pormenores destas biografias (reais, imaginárias - pouco interessa) do bairro Amélia, na Margem Sul, o escritor aproxima-nos delas. E essa pode ser uma das tarefas maiores do escritor - aproximar sem moralizar. Como Nelson Rodrigues, Vieira Amaral sabe que as melhores histórias - as que melhor nos revelam - estão na nossa rua. E que juntam sentimentos maiores e gestos miseráveis. Extremos em coabitação improvável. O Sonasol e o Lago dos Cisnes. O Correio da Manhã e o Für Elise. Camus e o Luís Filipe Reis. A vida é isto, como dizia o outro - e a melhor literatura sabe descrevê-la no seu modo impuro de ser. É preciso olhá-la, ouvi-la, espreitá-la (sim, como um anjo pornográfico) e, se tivermos talento e coragem, escrevê-la com as palavras mais perigosas do dicionário.

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publicado às 23:43

Ilhas

por Nuno Costa Santos, em 19.11.13

Pauleta e Ronaldo empatados no campeonato dos melhores marcadores da selecção. Sem os arquipélagos o país não passava do meio-campo.

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publicado às 22:07

Biografias

por Nuno Costa Santos, em 19.11.13

Este é um bom contributo para a discussão - que até veio do Brasil - das biografias autorizadas e não autorizadas e sobre o que é que um biógrafo pode ou não dizer sem a consulta dos familiares. Aqui não se trata de uma biografia mas de umainiciativa pública em relação à qual não estou sequer a par. Mas o problema de fundo que se coloca é o mesmo: pode haver a revelação de facetas de uma figura que já morreu sem a autorização de familiares? Para gente como Pedro Costa, Margarida Gil, Manoel de Oliveira, Maria Velho da Costa, Herberto Helder e Rui Chafes, não. "Na carta (escrita por estas personalidades), lê-se que a sessão de leitura de textos de César Monteiro, revelando uma faceta menos conhecida do realizador, é feita sem ter sido pedida autorização ao filho, 'que é quem detém os direitos autorais do poeta-cineasta'". Voltarei ao assunto porque me interessa - e porque tenho sido praticante do género biográfico e considero que nestas situações há um meio termo que se pode alcançar.

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publicado às 09:55

Serviço público

por Nuno Costa Santos, em 18.11.13

Vimos cá em casa, por estes dias, emissões televisões de autêntico serviço público - e é para isso e só isso que servem as RTP's. Documentários vários sobre aspectos da vida em Viana do Castelo - das cantigas ao desafio até à importância do ouro como ornamento, passando pela partilha comunitária da rega. Claro que histórias destas, de preservação daquilo que pomposamente se chama de património cultural e não são mais do que uma certa alma que nos define, passam sem que ninguém nos avise do assunto. E não se julgue que sou um fundamentalista de óculos de massa: também me divirto com o Factor X. Acho é que há outros factores que também merece um avisozinho.

 

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publicado às 18:55

Também tem a sua razão

por Nuno Costa Santos, em 18.11.13

"Establishment icons are shattered by an avant-garde that in time becomes the new establishment to be attacked by a new avant-garde that uses its grandfather's forms of weapons".

 

Robert McKee, "Story".

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publicado às 00:45

Bartleby

por Nuno Costa Santos, em 15.11.13

Em tempos de escassez e de cólera, é quase impossível encontrar alguém que consiga dizer aquilo que disse Bartleby quando requisitado para uma tarefa no escritório: "Preferia não o fazer". Preferia não aceitar um trabalho mal pago. Preferia não aceitar este emprego no qual não me realizo. Preferia não o fazer. Eis uma das conquistas do homem, hoje: ter a possibilidade de ser um Bartleby por um momento. De resistir ao que parece inevitável. Sem ser por preguiça nem por embirração. Porque se quer. Porque faz sentido. Porque há esse direito.

 

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publicado às 13:53

Short Story

por Nuno Costa Santos, em 15.11.13

A história de um homem que vende o anel de casamento para comprar um pacote de leite meio gordo.

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publicado às 13:50

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