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Marginal Ameno

por Nuno Costa Santos, em 22.09.13


Também já fui rapaz para comprar estes jornais todos.

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publicado às 22:46

Moderação

por Nuno Costa Santos, em 22.09.13

Se agora falar em moderação há quem vá fechar as persianas. A moderação não é um assunto muito valorizado. Deve haver repelente à venda para a moderação. No entanto, se me permitem, não há nada tão urgente no espaço público. Os radicalismos e os fundamentalismos servem a histeria e a abstracção sem conteúdo - e por isso mais perigosa. A moderação é falar no concreto. É dizer coisas como "o país está cheio de dívidas, sim senhor, mas isso não justifica que se tire o tapete às pessoas". Não é apagar ou a primeira parte ou a segunda parte da história.

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publicado às 21:37

É este o país

por Nuno Costa Santos, em 22.09.13

Eu não sou jurista mas.

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publicado às 21:34

Já agora

por Nuno Costa Santos, em 22.09.13

People are strange mas nós também.

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publicado às 21:33

Vejam se me percebem

por Nuno Costa Santos, em 22.09.13

Sou moralista mas não sou assim tão moralista. Sempre que faço alguma reflexão geral e abstracta sobre o comportamento humano estou em cima de um púlpito, com um megafone, a vociferar conselhos a mim próprio.

 

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publicado às 21:22

Pixies

por Nuno Costa Santos, em 19.09.13
Agora que a banda está de volta com um novo EP, faça-se a pergunta: onde é que tu estavas quando ouviste Pixies pela primeira vez? Os Pixies foram o 25 de Abril musical da geração nascida no início dos 70's. "Where is My Mind", que todo o adolescente alternativo ouvia fechado dentro do quarto enquanto os pais iam sabendo, pelo telejornal, dos útimos anos da Guerra Fria, foi inspirada nas sessões de mergulho do senhor Black Francis/Franck Black nas Caraíbas (podemos imaginar uma capa da "Flash" com o rapaz a fazer uma declaração com um cocktail na mão: "Vim para aqui para procurar o sentido da vida"). "Surfer Rosa", de 88, não era - lembramo-nos bem - só esse hino. Era um álbum, uma unidade, um vulcão punk. Joey Santiago, Dave Lovering e Kim Deal. E eram as letras que se intuia-se serem do outro mundo mas que na altura, mais do que poemas bíblicos e extraterrestres analisados nos salões de chá da música indie, eram instantes sublimes de pura fúria. (Não foi preciso Kurt Cobain ter assumido que os Pixies foram uma das influências maiores dos Nirvana - a gente percebeu isso com "Smells Like Teen Spirit"). 

Depois, no ano em que em Manchester os Stone Roses editavam o primeiro álbum, veio "Doolittle", sobre o qual se podem sublinhar os mesmos elogios. Quem ouviu "Monkey Gone To Heaven" no "Indie Top" percebeu que estava para chegar mais um objecto tão estranho como viciante - tal como os filmes de David Lynch, uma referência para Francis. E ninguém está a falar de um hit de Verão de Vila Nova de Milfontes, "Here Comes Your Man". "Debaser" e "Wave of Mutilation" são canções canónicas e que não favoreceram qualquer "angústia da influência" nas bandas que vieram a seguir. Dizer que "Bossanova" (1990) foi um álbum mais bem comportado pode ser injusto. Traz na mala algumas duras rockalhadas mas de facto os temas-cartão de visita são "Velouria", "Dig for Fire" e "Ana". Black Francis estava numa fase caipirinha. Tivemos de o aturar assim como quem atura um amigo que sem aviso deixa o mosh no meio da pista para ir dançar para cima das colunas. Depois veio "Trompe Le Monde", início dos 90. E o que é que se pode dizer sobre? Que é o instante em que o bicho desce das colunas, volta para a confusão e aqui e ali faz stage diving. Potentíssimos originais como "Planet of Sound" e "The Sad Punk", temas lindíssimos como "Bird Dream Of The Olympus Mons" (quase tão bonito como "Hey") e uma versão inspirada e grata: "Head On", dos Jesus and Mary Chain.

Sem Kim Deal, o novo disco, que os meus ouvidos já espreitaram, é um disco centrista. Traz dois tipos de tons: um mais contido e outro mais poderoso, a apelar aos primeiros momentos da banda. "Indie Cindy" é uma graciosa e perturbante cançoneta com uma moça dentro. Equilibra os dois registos - por um lado é suavemente melódica e cândida, num estilo aparentado ao dos Grandaddy e ao do desconhecido mas muito recomendável David Pajo, e por outro passa-se de vez em quando. É desse desequilibrado equilíbrio que o mundo está a precisar.

 

 

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publicado às 22:14

Jardineiro

por Nuno Costa Santos, em 19.09.13

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publicado às 22:06

Impura Literatura

por Nuno Costa Santos, em 16.09.13

Andei com dois livros às cavalitas nos últimos meses - livros que falam a mesma língua, que partilham os mesmos códigos, a forma de entender a literatura e a arte em geral. "Reality Hunger", de David Shields (Vintage Books), e "Chet Baker Pensa na Sua Arte", de Enrique Vila-Matas (Teodolito). Não me parece que o americano Shields e o catalão Matas andem a partilhar scones na Padaria Portuguesa de Telheiras e ambos defendem o mesmo: o romance convencional já não chega lá. Que não basta a historinhazinha, a trama branda, as personagens bem desenhadas mas sem fogo. Que a realidade, contraditória e conflituosa, está a reivindicar atenção. Que é necessário assumir o quase sempre evitado "eu" - um "eu" que não é o ego tout court, é um jogo literário arriscado entre a a vida e a ficção. Joga-se, fala de si já sendo outro, expõe as suas obsessões, cria as suas próprias armadilhas. É uma defesa de um caos que faz sentido, procurando ser mais próximo, como se diz no livro de Vila-Matas, da "realidade bárbara e muda, sem significado, das coisas". Exigente e diverso nessa procura da "nebulosa do ser verdadeiro". Um ser múltiplo e incapaz de, como compreendeu Pessoa, ser domesticado numa obra bem comportada.

O livro de David Shields, assumindo-se como um manifesto, é uma provocação. Uma boa, corajosa e necessária provocação com sentenças como esta: "Some of the best fiction is now being written as nonfiction". E "I want books to be equal to the complexity of experience, memory, and thought, not flattening it out with either linear narrative (tradicional novel) or smooth recount (standard memoir)". Pode-se discordar ou defender a opinião liberal de que a convivência de registos, narrativos e não narrativos, é desejável e permite ao leitor gastronomias literárias complementares. Em todo o caso é pertinente esta emergência, em diferentes territórios do globo, de uma literatura impura ou de uma impura literatura. Confusão procurada de géneros, citações, rasgos, apetites.

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publicado às 21:45

Vaidade

por Nuno Costa Santos, em 16.09.13

A vaidade é, em geral, um mau espectáculo com pessoas a assistir. O fundamentalismo contra a vaidade também. Transforma-se na pior das ortodoxias éticas - uma vaidadezinha mais íntima, mais orgulhosa, mais ressentida.

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publicado às 21:26

Aquele que amou

por Nuno Costa Santos, em 13.09.13

 

 

Li "Fernando Lopes, Um Rapaz de Lisboa", de Jorge Leitão Ramos (Imprensa Nacional - Casa da Moeda/ Sociedade Portuguesa de Autores). Admiro Lopes como cineasta e como figura. Faz parte de uma geração que por facilidade poderíamos classificar de boémia mas que era demasiado emotiva para o ser - demasiado triste, pode-se até dizer. Movia-a, mais do que o hedonismo, o amor pela vida e por aquilo que de melhor pode dar: a beleza, a mesa, o humor, a poesia. A consciência de que, no fim das contas, iria dizer adeus a isto tudo com uma "saudade burra", para citar Assis Pacheco. E por isso cometeu excessos, procurou formas de esquecer a contingência.

Podia parecê-lo por vezes, mas não era um "loser", como algumas dos personagens pelos quais se interessava. Nenhum autor é um "loser". Os "losers" não conseguem fundar um gesto duradouro. Os filmes que conheço de Fernando Lopes - tenho algumas brancas - transmitem uma respiração humaníssima, iluminada por luzes melancólicas. Muitos trazem citações daquilo que o apaixonava no campeonato artístico. E são, nalguns casos, celebrações da amizade, sem medo de o serem, e de gratidão para com o seu passado, para com os seus cúmplices, para com o país desabotoado.

O livro capta algo disso. Para além dos motivos de celebração, ficam as dificuldades - financeiras, pessoais - do seu caminho, solitário como todos os caminhos e ainda mais solitário pelas sua vocação de "lonely boy" generoso. Lopes foi muito reconhecido como cineasta mas não acabou os dias no auge, entre sabotagens físicas graves e filmes pouco acarinhados. É um resumo da obra do autor, um breve olhar analítico e uma compilação de críticas de jornal - notas que não atingem muitas vezes, pela sua própria função, o coração das obras, as camadas, as subtilezas. Quando morreu, o jornal "Público" classificou-o como "o bem-amado". Era o bem-amado, pelo que fez e pela sua postura. Mas também era - e sobretudo - aquele que amou.

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publicado às 08:32



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