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O amor é para distribuir

por Nuno Costa Santos, em 14.05.13

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publicado às 18:35

Quatro Razões

por Nuno Costa Santos, em 13.05.13

- "Wakin on a Pretty Day", de Kurt Vile. A canção mais cool do momento. Dez minutos de passeata feliz, apaziguada - para nenhures, sim.  Se não se prestar atenção à letra, não faz mal. Basta ouvir o "yeah, yeah, yeah", meloso e preguiçoso,  entre arranjinhos de guitarra, e fica-se com o resumo filosófico da musiqueta.

 

 

- "Will You Love Me", de Matthew E. White. Um adiantado musical capaz de fazer parecer simples aquilo que é musicalmente denso. Lembra (o som do rapaz, sobretudo em Big Love) Beta Band mas desconfia-se que o religioso Mateus não andou nessas audições. Um nerd felizmente dado ao amor.

 

 

 

- "Lenço Enxuto", de Samuel Úria. Antes de mais, uma letra galáctica: "Empresta-me os teus olhos uma vez/ Que os meus não são de gente, apenas rapaz (...)". A fúria amorosa do cidadão Samuel com romântico acompanhamento de Manel Cruz. Lá mais para o fim, uma explosão de sons que podiam ser lágrimas. Uma chuva de estrelas. Em câmara lenta, como na TV.

 

 

- "A New Life", de Jim James. O "Only You" cantado por um barbudo melancólico. Começa solitária mas depois deixa-se acompanhar por instrumentação vária - e chega a acabar num registo festivo, que apetece dançar como se não houvesse TSU sobre as pensões. 

 

 

 

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publicado às 18:10

As canções importam

por Nuno Costa Santos, em 11.05.13

Esta música - que ouço aqui na net - acompanhou-me numa certa altura da minha vida. Escuto-a e vejo-me no Verão (1995, 1996?) a conduzir o carro nas estradas verdejantes da ilha de São Miguel. Ela é esse tempo, aquilo que sentia na altura: a sossegada inquietação de um adulto ainda à procura do que é ser adulto. E é este instante em que a ouço - e me sabe tão bem. É dos Gene, uma banda que, quando apareceu, foi apresentada como mais uma das 789090 bandas inglesas cujo  som se assemelha aos Smiths. Um epíteto injusto. Os Gene são, sem genealogias fáceis, os Gene, fizeram boas canções e merecem gratidão por isso. Não tiveram glórias maiores, o seu vocalista não dá declarações à imprensa inglesa sobre o estado da Nação, ninguém usa t-shirts com o seu nome estampado. Onde andaram eles hoje?

 

 

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publicado às 19:37

Toda a gente

por Nuno Costa Santos, em 11.05.13

Os psiquiatras deviam todos emigrar para países onde há maior equilíbrio  anímico e onde depois há alguns desvios à regra. Aqui o diagnóstico está feito. Generalizou-se a conversa nos empregos, nos cafés, nos chats: “Eu acho que ele é um bocadinho bipolar”. 

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publicado às 19:09

Como uma ida à feira da ladra serve para medir o pulso ao país

por Nuno Costa Santos, em 10.05.13

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publicado às 17:44

Preguinho Bom

por Nuno Costa Santos, em 10.05.13

 Os portugueses gostam de cervejarias. Este português gosta de cervejarias. As cervejarias, quando são boas, representam uma parte do melhor de Portugal: são acolhedoras e despretensiosas e lugares onde se pode beber uma bela de uma imperial, trincar um belo de um bifinho e picar um belo de um pratinho de camarão ao mesmo tempo que se tem - sem culpas ou complexos - uma bela de uma conversa em voz alta.

A Cervejaria da Esquina, propriedade do famoso Vítor Sobral, é uma dessas casas. Uma cervejaria, apesar do desenho moderno e arejado, praticamente igual às outras – até tem o clássico aquário com lagostas, que faz as delícias das crianças e o horror de alguns adultos – só que com uma particularidade que a eleva: um apuro gastronómico assinalável. E mastigável. Pelo menos a uma primeira garfada. Tudo o que se comeu aí, numa recente noite de quarta-feira, era de qualidade superior. Em vez de estar aqui com rodriguinhos narrativos o melhor é já ir directamente ao assunto. Foi lá que comi o melhor prego que alguma vez comi em dias de vida. Um prego de acém (4,90 euros) que não tem descrição – de tão tenro e saboroso que é. Troco, sim troco uma data de pratos gourmet com nomes estrangeiros por este – chamemos-lhe assim - galáctico preguinho. Sobral devia receber outra comenda só por causa disto.

 

O restante repasto também convenceu e muito – a começar por um creme de camarão, 3,60 euros, levezinho mas substancial no marisco, passando por umas excelentes amêijoas à Bulhão Pato, 17,50 euros, e terminando numa generosa açorda de pão alentejano, gema de ovo e coentros com camarão, 18 euros. Mas o prego, meus senhores, é que ficou para a História – a minha, pelo menos, - como o hit deste restaurante que merece uma revisitação para provar mais mariscada e outras carnes, acompanhadas de uma esquininha (desta vez escolhi um convincente copo de chef’s collection Vítor Sobral, Alentejo, 2009, a 4 euros). Das sobremesas a preferência foi para um bolo de chocolate, tépido no nome mas caloroso no gosto (4,50 euros), apesar de o Flan de Chá Verde da Gorreana, 3,50 euros, não se ter saído nada mal.

 

 

 

 

Sim, ao visitar esta esquina de Campo de Ourique, cheínha de convivas numa noite de quarta, percebe-se por que é que Vítor Sobral tratou de trocar a “alta cozinha” e os restaurantes armados por casas que se enchem alegremente de famílias e grupos de amigos. E por que é que abriu recentemente um restaurante do género em São Paulo. “Devo fazer parte de um pequeno grupo de portugueses que acreditam em Portugal”, disse numa entrevista recente ao jornal “i”. Que continue a acreditar por muitos anos. É deste tipo de mangas arregaçadas que o país precisa.

 

 

Cervejaria da Esquina, Rua Correia Teles 56
Lisboa, 213874644


Preço Médio por Refeição: 30 euros.


Classificação: 90%

 

(texto publicado nos suplemento "Tentações", da revista Sábado)

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publicado às 11:40

Tenho isto para dizer há dez anos

por Nuno Costa Santos, em 10.05.13

Há um lado no humor português que não me dá vontade de rir. Que é o facto de ser essencialmente revisteiro, mesmo nas suas formas mais aparentemente sofisticadas. Até no humor dependemos do Estado, dos poderosos, dos que mandam. O humor deve começar por ser o exercício de se rir genuinamente de si próprio (o Miguel Esteves Cardoso defende algo semelhante numa das crónicas do seu último livro) para depois ganhar legitimidade para se rir do resto. É uma atitude filosófica em relação ao mundo que tem  a consciência de que a primeira fragilidade é a nossa, não as desses seres detestáveis, sobre os quais se deve cuspir todos os dias, como são "os políticos", "os empresários" e "os famosos", etc. A nossa postura portuguesa - aliás muito vicentina e muito queiroziana - é de satirizar os outros. É a de nos rirmos dos que satirizam os outros. Esquecendo-nos que quem manda em primeiro lugar somos nós.

 

 

 

 Tudo isto parte desse muito lusitano medo do ridículo. Se um tipo faz uma piada sobre si em público está a abrir-se ao ridículo. "Estou a dar armas para me atacarem". Se calhar as pessoas têm medo disso porque "a sociedade portuguesa" desvaloriza quem aparentemente se trata mal e valoriza os que apontam o dedo ao poder. "Esse tipo diz as verdades e não tem medo das consequências!". Esquecemo-nos é que apontar o dedo ao poder é um gesto demasiado fácil e vulgarizado e apontar o dedo a si próprio (com gentileza humorística, a melhor das gentilezas) é que é difícil e revolucionário. Até porque a nossa capacidade auto-crítica embate sempre no maior dos ditadores. O ego, sim, que não consta que tenha nacionalidade.

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publicado às 10:14

Obrigado

por Nuno Costa Santos, em 09.05.13


 

Volto aos blogues com um blogue que tem um título que há muito quero dar a um blogue. “O Marginal Ameno” é uma expressão de Carlos Drummond de Andrade e está num dos textos que melhor caracterizam a condição de cronista.  ”(…) Você é o marginal ameno, sem responsabilidade na instrução ou orientação do público, não há razão para aborrecer-se com os fatos e a leve obrigação de confeitá-los ou temperá-los à sua maneira (…)”. Foi esta a passagem que me inspirou e  inspirará sempre, espero eu,  este jogo internético. Um abraço mais do que agradecido à Dânia e ao Miguel Neto (da Escritório), que desenharam este recanto, no lettering e na poltrona, território onde me sinto sempre bem (tenho ali uma quase igualzinha) e mais capaz de observar o mundo e as suas ocorrências. E mais um agradecimento ao Pedro Neves, dos blogues do Sapo, que acolhem esta saleta.

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publicado às 14:47

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