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Café indignado

por Nuno Costa Santos, em 20.05.13

 

O Café do Monte, ali na Graça, é aquilo que um amigo meu classifica de “restaurante indignado”. É um pequeno território retro (ou será vintage?), onde o cidadão pode dar por si sentado ao pé de livros progressistas como o “De Onde Vêm os Bebés? – Educação Sexual para Crianças”. Não é só o bom ambiente que entusiasma e aconchega, com os seus cartazes de filmes e as suas fotografias antigas. A comidinha, indignadamente leve, também vale a pena. Num destes fins-de-semana voltei a pisar o sítio para trincar uma – sim, sei que o nome dignifica o macho - croq Madame (€5,50), deliciosa tosta mista no prato e ovo a cavalo, agradavelmente gratinada e com um molho de queijo galáctico no sabor. Para complemento, uma generosa salada fabrice (€7,50), com uma mistura invulgar de saladas verdes, tomate cherry, queijo azul, queijo de cabra, nozes, morangos e manga, que se destacava por um supimpa queijinho na dose certa e uma manga bem madura e saborosa. Nas bebidas, um sumo do mesmo fruto (€2,50) e apropriado chá marroquinho (€2,00). Não, não se fumou substâncias ilícitas. Os doces: experimentem a Tarte Tatin (€3,50) e a sua massa superiormente fina ou o Bolo de Chocolate (€3,50), húmido por dentro e com doce de framboesa. O preço, esse, não indigna ninguém. Só se pede ao atendimento para ser, como é que hei-de dizer, mais risonho e solto. A voltar. Sempre.

 

Café do Monte, R. de São Gens, 1, 916307653

Nota: 85%

Preço Médio: €13

 

(publicado no suplemento "Tentações", da revista Sábado)

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publicado às 15:52

O Novo Vocabulário

por Nuno Costa Santos, em 20.05.13

O vocabulário está a mudar. Em particular o vocabulário para as situações difíceis. Já não se diz: “Vais ser despedido”. Agora diz-se: “Estamos a proceder a uma reestruturação na empresa…”. (O que me lixa são as reticências). Hoje os projectos não terminam. Descontinuam-se. “O nosso projecto vai ser descontinuado”. “Descontinuado? E um tipo agora também não morre?”. “A sua vida vai ser descontinuada”. Também já não há empregos. Há “estágios”. Ou então “ocupações”, nos quais uma pessoa recebe não um salário mas um “valor simbólico”. “E o que é que um gajo come? Um bife simbólico?” Eu quero a vida, se não for incómodo. Não “a sobrevivência”.

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publicado às 15:16

Os Quiosques

por Nuno Costa Santos, em 20.05.13

 

Onde estão os quiosques de jornais da minha adolescência tardia? Vão fechando um a um, neste tempo melancólico,  austero, canibal. Dizem os donos que já não dá mais, que as pessoas compram cada vez menos jornais, os que compravam duas revistas, compram uma, os que compravam uma, não compram nenhuma.


Onde estão os homens que vendiam jornais e revistas, num país onde sempre se leu pouco e onde vender jornais e revistas sempre foi um negócio extravagante? Que fazem esse homens que venderam manchetes sobre remodelações ministeriais, notícias sobre crimes sexuais, gordas sobre o Defeso, breves sobre homens que desapareceram no rio e no mar? Que fazem eles hoje?


Quero-os de volta, quero os jornais de volta, as conversas sobre as manchetes de volta, a rezinguice contra o país e os que mandam de volta, o queixume sobre os jornais que não se vendem e de que isto é um mau negócio de volta. Quero o meu país de volta. 

 

 

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publicado às 15:05

A Favor do Cliché

por Nuno Costa Santos, em 20.05.13

 

 

Existe hoje, neste mundo cada vez mais adiantado mental, um ódio ao cliché. O cliché é maltratado por pessoas que se querem mostrar muito espertas perante aquilo que que categorizam. Digo: é urgente recuperar o cliché. Até porque não há nada mais cliché do que tentar evitar a todo o custo o cliché. E, cliché por cliché, é preferível o original. Um desempregado, por exemplo, é um “cliché”. Para quem quer evitar o cliché, um desempregado é outra coisa, mais complexa e indefinível e quem sabe até mais “interessante”. Ele não é bem um desempregado. É um indivíduo que deixou de trabalhar num determinado local de trabalho e está prestes a passar para outro.

 

Para combater uma realidade cliché, digo eu, é importante reconhecer que ela existe. Prefiro que um desempregado seja um desempregado. Até porque um desempregado é um desempregado, com tudo o que de infelicidade comum isso significa.

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publicado às 14:42

Isto agora é a brincar

por Nuno Costa Santos, em 19.05.13

 

 

O  Euro está mesmo nas últimas. Agora dão-nos notas do monopólio.

 

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publicado às 13:57

Genealogia do marginal

por Nuno Costa Santos, em 17.05.13

 "Só as grandes catástrofes é que comovem a Multidão - e essas deixam-nos a nós, que nos impressionamos com as pequenas desgraças, quase frios".

 

Raul Brandão

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publicado às 19:21

B.leza

por Nuno Costa Santos, em 17.05.13

Uma pessoa que já foi bonita nunca se habitua a ser ignorada.

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publicado às 18:06

Actualidade

por Nuno Costa Santos, em 16.05.13

O Benfica está como os pensionistas: anda a perder nos descontos.

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publicado às 11:26

Genealogia do marginal

por Nuno Costa Santos, em 15.05.13

http://www.popmatters.com/pm/feature/166769-at-the-source-of-the-blue-nile-an-interview-with-paul-buchanan/

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publicado às 03:57

Clássico Indiano

por Nuno Costa Santos, em 14.05.13

O meu estômago já conhece o Caxemira, os seus odores e sabores, à distância. Por diversas vezes fui lá mimado, ainda era um jovem de vinte e tais anos - não um candidato a carcaça que se abeira dos 40. Guardo, aliás, na memória um divertido episódio ali passado: numa dessas primeiras digressões caxemirianas pelos territórios da comida indiana, convidei o meu já falecido avô para ir também e o meu avô, homem de hábitos e de uma crónica gentlemanship, suportou todos os exóticos ardores, mas não se eximiu de ter pedido, com simpatia, umas cinco garrafas de tinto ao funcionário (uma de cada vez, claro) alegando, em cada momento de prova, que todas apresentavam gosto a rolha.  Não me lembro se chegou a beber alguma.

 

Tempos idos, quase noutra vida, que me ajudaram a ir directo ao sítio quando convocado para uma missão crítica.  Não, não foi necessária qualquer ajuda do GPS gastronómico para chegar com facilidade ao 1.º andar de um dos prédios vizinhos da Praça da Figueira. Nem foi preciso dar especial crédito ao autocolante do trip advisor, colado na porta. Foi só subir as escadas, abrir a porta e sentar-me à espera que uma experimentada cozinha indiana viesse dar à costa. E veio, primeiro na modalidade de entradas, com dois Onion bhaji, pastéis de cebola com farinha de grão (€2), uma chamuça de frango (€1) e o inevitável cheese nan, pão indiano com queijo (€2,50). Picantes elogios para os bhaji e para a chamuça, ambos de qualidade superior – com vida e graça, nada secos como acontece em tantos de outros redutos de comida do género.

 

Os senhores pratos: um caril de camarão com molho à indiana (€10), com um soberbo caril de molho doce e ligeiramente picante e, em vez da habitual escolha de tandori de frango e borrego, uma chana massala (grão com molho especial), a €7.50. O grão tem um sabor intenso, ligeiramente  fumado e pouco habitual. Voltaria a repetir. Para acompanhar, arroz basmati (€3), aquele arroz colorido e perfumado e enriquecido com sultanas e caju. Não havendo gulab jamun (uma mania antiga em versão doce de leite e açúcar embebidos em calda de água de rosas), fiquei-me pelo café. Depois atravessei o cada vez mais apetecível Martim Moniz, onde um dia concretizarei a ideia de realizar um musical, para o qual conto consigo, dançarino leitor.

 

 

Caxemira, Rua Condes de Monsanto, 4, 1.ºdto, 1100-159 Lisboa,  218865486

Preço Médio por Refeição: 15 euros.


Classificação: 88 %

 

(texto publicado nos suplemento "Tentações", da revista Sábado) 

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publicado às 18:49



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