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Remax sentimental

por Nuno Costa Santos, em 11.05.17

 

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publicado às 14:32

22 anos depois, voltar a mergulhar com os Slowdive

por Nuno Costa Santos, em 05.05.17

Os Slowdive estão de regresso e com eles vem aquele sentimento de melancolia que, mais do que entristecer e paralisar, aconchega, faz sentir bem. Casulo sonoro que acolhe quem os quiser ouvir, não é preciso muito para se revelar. Bastam uns acordes de guitarra, uns efeitos de produção, um rodar de botão misterioso que torna poéticas as massas de som. E de súbito já não estamos fora de água, banhistas existenciais a apanhar as correntes de ar da superfície. Somos mergulhadores a pesquisar os mistérios de um fundo do mar feito de subtilezas. Como diz no documentário da Pitchfork sobre a banda, Alan McGee, o homem do catálogo Creation, os Slowdive, depois de se terem tido algumas dificuldades de respiração numa época – o início dos anos 90 – interessada em bandas, numa enérgica fase de afirmação (como os Oasis, os Blur e os Suede), encontraram agora, passada a primeira década dos anos 2000, um tempo que os sabe acolher e celebrar sem pressas.

 

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publicado às 21:36

Dos Daltonic Brothers

por Nuno Costa Santos, em 20.04.17

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publicado às 10:34

Be Something

por Nuno Costa Santos, em 17.04.17

Alynda Lee Segarra, comovente, épica, com a porto-riquenha "gente del barrio". Inclui uma citação de Beatles mas podia citar Seu Jorge, recriando Bowie. Qualquer coisa como "sempre em frente, nunca pra trás".

 

 

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publicado às 19:49

Mistério da Humanidade

por Nuno Costa Santos, em 10.04.17

O que é que leva alguém a querer ser árbitro? Continua a ser dos maiores mistérios da humanidade (ao pé disto a existência ou não de Deus é um pormenor). Não há árbitros amados. Há, aliás, três condições que não se deseja a ninguém: árbitro, ministro da Educação e escultor do busto do Ronaldo.

Não há cadernetas de árbitros. Nenhum português sai à rua para celebrar a passagem de um autocarro cheio de árbitros com garrafas de champanhe na mão. Nenhum árbitro dá nome sequer a um aeródromo. E já lá vão 43 agressões só esta época. É por isso de saudar a coragem de quem se mantém em funções na arbitragem e quem as assume. Isto num momento em que o País se escandaliza com uma joelhada a um árbitro, como se o que marcasse o ambiente desportivo todas as semanas fosse a meditação transcendental.

Mais aqui.

 

 

 

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publicado às 12:21

Aqui da pastelaria

por Nuno Costa Santos, em 28.03.17

Havia um indivíduo bigodudo que dizia que a sua pátria era a língua portuguesa. A minha é outra. A minha é a pastelaria portuguesa. Escrevo em pastelarias. Garanto-vos: a crónica corre melhor quando escrita aqui, entre o empregado dos correios que todos os dias, à mesma hora, mastiga, com a maior das elegâncias, a sua salada de fruta e uma senhora que, ao fim da tarde, não resiste em vir comprovar que o éclair de ontem estava melhor do que o de hoje.

Lembro-me de Mário Cesariny, de cuja morte passam 10 anos, quando escreveu, num poema intitulado Pastelaria, "(…) afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo/ à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo (…)". A propósito: vi Cesariny, nos anos 90, num café, o Café Estádio, no Bairro Alto. Na altura não havia selfies. Quando tudo era possível não havia selfies.

Mais aqui.

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publicado às 23:45

Resumo

por Nuno Costa Santos, em 22.03.17

Pelo menos já ganhámos um título para uma revista à portuguesa: "Sexo em Eurogrupo".

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publicado às 00:16

Marlon James

por Nuno Costa Santos, em 20.03.17

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Quem sobreviver ao início, literária entrada a pés juntos, fica preparado para o resto do trágico festim. “Ouçam. Os mortos nunca param de falar. Talvez porque a morte não seja morte nenhuma, apenas ficar de castigo depois das aulas. Encontras-te com homens que morreram antes de ti, que passam o tempo a andar, embora sem destino, e ouve-los uivar e sussurrar, porque somos todos espíritos, ou pelo menos achamos que somos todos espíritos, mas na verdade o que somos é pessoas mortas”. Aqui não há salvação. Marlon James não é Raul Minh’Alma.
A narrativa vai-se desenhando à medida que as várias vozes que, “falando” na primeira pessoa, se vão juntando num coro violento e gira à volta de um acontecimento histórico: a tentativa de assassinato de Bob Marley, “aquele tipo do reggae, que se tornou mais popular do que o pão de forma”, na véspera de um concerto, acontecimento que não impede Marley, ferido no peito e num braço, de dar, dois dias depois, um concerto para 80 mil pessoas – o artista, apresentado como “O Cantor”, é descrito a certa altura como um “daqueles tipos que podia falar com Deus e o Diabo e conseguir que eles fizesse as pazes – até porque nenhum é casado”. É um violento épico, que viaja pelas três décadas seguintes no coração do universo dos gangues e políticos jamaicanos, no qual cabem dezenas de personagens, de testemunhas a traficantes de droga e de armas, passando por agentes da CIA, do FBI e jornalistas.
Pontuado de referências musicais – do ska ao rock, passando naturalmente pelo reggae - e com um ambiente tarantinesco, este é um romance de linguagem e só quem conseguir atravessar esta linguagem que, num jorro de desespero, destilando o seu desespero - aqui e ali atravessado de algum humor - conseguirá conseguirá sobreviver. Há frases mal construídas, palavras cortadas, matéria para enganar gralhistas. José Miguel Silva é o autor do gesto de tradução - heróico, sim - de fazer o português dançar ao som desta banda sonora das ruas, das casas e dos guetos da Jamaica. “O gueto é um cheiro. Um cheiro por vezes agradável: o pé de talco que as mulheres usam nos seios, Old Spice, English Leather e água de colónia Brut. O odor pesado a cabra recentemente abatida, a pimenta e pimentão numa sopa de cabeça de cabra. De novo a pimenta num frango picante. Um odor a químico de detergente, a manteiga de cacau, a ácido carbólico, sabão de lavanda, mijo fermentado e merda seca a correr pelas valetas. O cheiro de cordite de uma arma recém-disparada, de caca em fraldas de bebé. O odor metálico do sangue coagulado de um assassinato em plena rua, que permanece no local depois de o cadáver ter sido removido”. Entrevista ao autor aqui.

 

 

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publicado às 23:08

Aquele Grande Rio

por Nuno Costa Santos, em 20.03.17

Um disco recém-editado trouxe-me à memória Ruy Belo. É um dos meus poetas. Comecei a lê-lo depois de ter aterrado em Lisboa, na qualidade de pára-quedista açoriano. Fui seduzido, antes de mais, pelo humor do seu lirismo. Como neste “Epígrafe Para a Nossa Solidão”:

Cruzámos nossos olhos em alguma esquina
demos civicamente os bons dias:
chamar-nos-ão vais ver contemporâneos

Depois, a propósito de um trabalho de documentário e de um artigo para a revista Ler, conheci outras facetas de Ruy Belo. A de filho da sua terra, São João da Ribeira, no Ribatejo. A de “vencido do catolicismo”. De crente que se foi desiludindo e ganhando melancolias. A de homem comprometido politicamente, elemento da CEUD e autor do poema “Portugal Futuro”.

A de filho também, que escreveu sobre o pai assim: “Era o meu pai era esse sonhador incorrigível/ sem nunca mais saber que havia de fazer dos dias”. A de amante de futebol e de jogador, com o José Medeiros Ferreira, na equipa da Faculdade de Letras.

Mas voltemos à sua dimensão espiritual. José Tolentino Mendonça escreveu, num artigo magnífico, incluído no volume “O Hipopótamo de Deus”, o seguinte: “Talvez fosse agora tempo de começar a olhar esta poética naquilo que ela também é: aventura espiritual intensa como poucas (…) quase circularidade entre presença e silêncio, entre dúvida e crença”.

Manuel Fúria e os Náufragos acabam de editar um álbum, “Viva Fúria”, em que evocam Ruy Belo em dois temas: “Cala-te e Dança” e “Aquele Grande Rio”. Sim, “Aquele Grande Rio” celebra “Aquele Grande Rio Eufrates”, título do seu primeiro livro, de 1961. Ruy Belo, em 2017, numa pop que passei ontem no programa Cais de Encontro, do Antonio Sousa.

 

 

 

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publicado às 12:24

"Afogada na tua vergonha"

por Nuno Costa Santos, em 16.03.17

"Afogada na tua vergonha", com textos de Roberto Corte e Sarah Kane (sim, isto não é pa meninos), dramaturgia e encenação de João Rosa. Amor, violência, consumo, anúncios vintage, neurotransmissores, antidepressivos, solos de bateria, uma homenagem à coreografia dançante de Ian Curtis, fraseados poéticos sobre fundo rockeiro que trazem à memória Mão Morta, referências a Safo, uma frase: "a vida a comer-te bem comida". Cantos de maldoror de um homem e uma mulher para quem o romance se tornou numa espécie de filho bastardo do bullying. Um dos momentos da peça é aquele em que cai uma perche sobre as suas cabeças, a tentar registar o que devia ficar entre os dois mas que precisa de ser captado por um mundo que não faz sequer ideia o que é a intimidade. Catarina Gonçalves e Eduardo Frazão estão portentosos no pára-arranca deste jogo de verdades que doem. Na Comuna até domingo.

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publicado às 17:08


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